
A contratação de uma balsa para assegurar a travessia de veículos e passageiros pelo Rio Jacuí, durante o bloqueio total da Ponte do Fandango, segue sem definição e expõe dificuldades enfrentadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Nesta semana, o órgão voltou a desclassificar a empresa Lacel Soluções e retomou a análise de documentos apresentados pelo Estaleiro Naval Couto, responsável pela embarcação Deusa do Jacuí, que já opera em Cachoeira do Sul.
O pregão eletrônico previa inicialmente a vitória da Lacel Soluções, que apresentou proposta de R$ 7,020 milhões, cerca de R$ 20 mil abaixo do valor ofertado pela Naval Couto. Apesar do menor preço, a empresa acabou não sendo habilitada por não cumprir integralmente os requisitos técnicos e administrativos exigidos no edital.
Com a inabilitação da Lacel, o Dnit convocou a Naval Couto para a etapa seguinte do processo. No entanto, a empresa também acabou reprovada por não atender a todas as exigências. Diante da ausência de propostas plenamente habilitadas, o órgão federal revisou sua própria decisão administrativa e voltou a considerar a Lacel apta à contratação.
A mudança de entendimento gerou contestação por parte da Naval Couto, que recorreu à Justiça Federal. Uma decisão liminar suspendeu temporariamente o pregão eletrônico destinado à contratação da balsa para Cachoeira do Sul, ampliando ainda mais a indefinição sobre a travessia.
Posteriormente, a liminar da Vara Federal de Carazinho foi revogada, permitindo a retomada do processo. Mesmo assim, o Dnit voltou a reprovar a Lacel Soluções, reabrindo o impasse e transferindo novamente a expectativa para a análise da documentação da Naval Couto.
Cronograma comprometido
Enquanto a disputa administrativa e judicial se arrasta, o cronograma originalmente previsto para a obra permanece indefinido. O planejamento inicial indicava o bloqueio total da Ponte do Fandango a partir de setembro, com interrupção estimada em cinco meses. Até o momento, no entanto, a interdição não foi efetivada, em meio à ausência de uma solução definitiva para a travessia alternativa sobre o Rio Jacuí.
Com o processo ainda sujeito a novas análises e eventuais recursos, o cenário segue marcado pela incerteza quanto aos prazos e à operacionalização da balsa durante o período de interrupção da ponte.