Dia do Arroz: vitrine de inovação para o campo

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Irga apresenta estações tecnológicas sobre sobre manejo, novas cultivares, diversificação com soja e produção de arroz de baixo carbono

O Instituto Rio Grandense do Arroz realiza nesta quarta-feira (25), uma programação técnica voltada à produtividade e à sustentabilidade da lavoura arrozeira durante a Expoagro Afubra 2026. O tradicional Dia do Arroz reúne agricultores em torno da qualificação técnica do setor, com apresentação de novidades tecnológicas para viabilizar os cultivos de arroz e soja nas propriedades. Responsável pela organização do espaço do Irga no parque, o engenheiro agrônomo Ricardo Tatsch, chefe do 5º Núcleo de Assistência Técnica e Extensão Rural (Nate) em Rio Pardo, explica que a área destinada à entidade soma 4 mil metros quadrados, sendo 3 mil ocupados por lavouras demonstrativas.

Crédito:Reprodução

Nesse local, os agricultores acompanham quatro estações técnicas com orientações sobre manejo, inovação e diversificação produtiva em áreas de terras baixas. Uma das temáticas centrais é o Projeto RS14, iniciativa que busca ampliar a sustentabilidade e a rentabilidade das lavouras. Entre os pontos abordados, estão práticas de manejo para excelência produtiva, antecipação da irrigação, manejo de adubação e controle de plantas daninhas, pragas e doenças. Outra estação destaca cultivares desenvolvidas pelo Irga, com orientações específicas para materiais amplamente utilizados pelos produtores, como IRGA 424 CL, IRGA 426 CL, IRGA 431 CL e IRGA 432.

A programação também conta com orientações sobre diversificação de sistemas produtivos em terras baixas, com foco na soja. São apresentados temas como irrigação para maior estabilidade produtiva, manejo da compactação do solo, escolha de materiais e estratégias de drenagem. Outro destaque é o arroz de baixo carbono, com práticas de manejo que reduzem a emissão de gases de efeito estufa na lavoura arrozeira. Durante a apresentação, os visitantes podem conhecer oportunidades relacionadas ao mercado de carbono, ao selo ambiental da lavoura de arroz irrigado e ao uso de plantas de cobertura de inverno.

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Segundo Tatsch, a participação na feira é considerada estratégica para aproximar a pesquisa e a assistência técnica. “O Irga, através de seus técnicos, traz aos produtores de arroz tudo que há de mais novo em tecnologias e manejos para a lavoura orizícola, e demais cultivos para diversificação em áreas de terras baixas, oportunizando formas de melhorar a rentabilidade e manutenção do produtor na atividade”, pondera. O agrônomo reforça que esse trabalho se torna ainda mais relevante em anos como o atual, em que os preços da saca de arroz estão muito baixos, o que praticamente inviabiliza o cultivo nas lavouras. O estande do Irga permanece aberto ao público durante toda a Expoagro Afubra.

Arroz carreteiro

Anualmente, durante a programação do Dia do Arroz na Expoagro Afubra, o Irga prepara o tradicional arroz carreteiro para servir no almoço. Os funcionários da entidade, Ricardo Losekann, Adenir Correa Santos e Paulo Roberto Ferreira do Santos, são os cozinheiros que preparam a iguaria da culinária gaúcha para servir aos visitantes. O trabalho já começa um dia antes, com o corte da carne e o preparo dos ingredientes que serão usados pela cozinha. A dobradinha típica fica ainda mais completa com o feijão campeiro que é oferecido como acompanhamento.

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Desde as primeiras horas da manhã, os chefes assumem os panelões rústicos feitos artesanalmente para cozinha. “Servimos almoço para 500 pessoas. É tudo feito no capricho e com ingredientes de qualidade”, garante Losekann. Ao total, foram utilizados 40 quilos de arroz, 85 quilos de carne e 25 quilos de feijão, além de condimentos e outros ingredientes. Para sobremesa, não pode faltar o tradicional arroz de leite, que também valoriza e incentiva o consumo de arroz.

Rotação com soja reduz emissões na lavoura de arroz

A pesquisadora do Irga, engenheira agrônoma Mara Grohs, conduziu uma das estações experimentais no Dia do Arroz, durante a programação da Expoagro Afubra. Na oportunidade, os agricultores puderam conhecer os avanços da orizicultura gaúcha na busca por maior sustentabilidade ambiental, sem abrir mão da produtividade e da qualidade do grão. Segundo esclarece, tradicionalmente o instituto apresenta aos produtores novas cultivares e manejos diferenciados com foco em rendimento, mas nos dias atuais esse cenário evoluiu. “Hoje, no mercado global, isso não é mais suficiente. É preciso aliar a produção agrícola à sustentabilidade ambiental”, afirma.

Nesse contexto, Mara destaca que há alguns anos o Irga vem desenvolvendo estudos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa na lavoura de arroz, seja por meio de práticas de manejo ou melhoramento genético. A pesquisadora explica que o cultivo de arroz irrigado exige atenção especial, já que o solo inundado favorece a produção de metano, um dos principais gases responsáveis pelo aquecimento global. “Esse é um processo natural, semelhante ao que ocorre em áreas alagadas, como pântanos. Porém, como se trata de uma atividade agrícola, entra na conta das emissões que precisam ser reduzidas”, diz.

Um dos principais desafios, conforme a agrônoma, é encontrar alternativas que diminuam essas emissões sem comprometer a produtividade, já que a água é essencial para o cultivo. Nesse sentido, um estudo recente, conduzido no Rio Grande do Sul e publicado na revista científica Soil & Tillage Research, trouxe resultados expressivos. A pesquisa apontou que a rotação de culturas com soja pode reduzir em até 54% as emissões de gases de efeito estufa nas lavouras de arroz. “Hoje o Estado tem 450 mil hectares semeados de soja em rotação com arroz, o que representa mais de 50% da área. Como o Rio Grande do Sul é o principal produtor de arroz do País, sem dúvida nenhuma posso afirmar que a rotação de culturas nas terras baixas é o principal diferencial ambiental do arroz brasileiro”.

Mara também ressalta que, em um cenário de desafios econômicos para o setor, a sustentabilidade pode agregar valor ao produto e abrir portas em mercados mais exigentes, como a União Europeia e os Estados Unidos. “Quando essa informação é validada pela comunidade científica, ela pode, inclusive, ser incorporada ao produto final, agregando valor ao arroz brasileiro”, concluiu. A pesquisadora reforçou que o setor produtivo tem motivos para se orgulhar: além de garantir produtividade e qualidade, a lavoura de arroz no Rio Grande do Sul avança no compromisso com a sustentabilidade ambiental.

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