DESEMPREGO E RENDA – Jeferson Francisco Selbach

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Jeferson Selbach

O atual mercado de trabalho brasileiro é o mais exuberante das últimas três décadas, nos aproximando do chamado pleno emprego, onde todos aqueles que desejam e são capazes de trabalhar encontram ocupação remunerada.

Quem disse isso foi o próprio Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, o mesmo que mantêm os juros ao nível mais alto das últimas duas décadas.

O índice de desemprego estaria, segundo o IBGE divulgou, em apenas 5,6%, o que representa uma população sem ocupação formal de 6 milhões de trabalhadores que efetivamente procuram emprego.

Não entram nesta conta as quase 16 milhões de pessoas (14%) que até gostariam de trabalhar, mas estão desencantados com os empregos e a oferta salarial oferecida pelos empregadores.

Significativo também é o crescente número de pessoas, principalmente os mais jovens, que preferem desempenhar atividades laborais com o chamado regime de pessoa jurídica (PJ), onde abrem mão dos descontos trabalhistas obrigatórios e ficam com 90% do que produzem.

Para efeitos comparativos, os trabalhadores de carteira assinada sob o regime da CLT recebem mensalmente metade do que custam ao empregador.

Dados do próprio IPEA mostram que a renda do PJ ou informal cresce 3x mais rápido (6,8%) do que a de quem é CLT (2,3%).

Grande é o número de trabalhadores informais, que representa um terço ou cerca de 38% das pessoas ativas.

Nesta parcela se encontram boa parte dos beneficiários do programa Bolsa Família, que atendeu em outubro quase 19 milhões de famílias ou cerca de 49 milhões de pessoas, pois considera todos os membros do núcleo familiar.

Tem municípios nordestinos onde 85% da população vive do assistencialismo estatal.

São pessoas desobrigadas a procurar emprego formal e que acabam em subempregos ou atividades informais, como jardineiros, manicures, confeiteiras, feirantes, motoristas de aplicativo, catadores, pedreiros ou faxineiras.

A renda que percebem pelas atividades que desempenham não aparece no sistema, pois recebem em dinheiro vivo ou pix de baixo valor mensal.

Assim é feita a “maquiagem” de falsa redução do desemprego atual, que não revela o fato de que somente uma pequena parcela desempenha uma atividade que lhe forneça renda suficiente para viver com dignidade.

Essa imensa massa populacional que não aparece nas estatísticas oficiais do desemprego – seja como PJ, bolsa-família ou informal – não seriam um problema, se não fosse pelo fato de que nos momentos em que lhes falta renda são os contribuintes quem acorrem para auxiliar.

Atualmente, o Brasil paga o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para mais de 6 milhões de pessoas que pouco ou nada contribuíram ao longo da vida ativa, não tiveram renda suficiente para guardar para os momentos difíceis como a aposentadoria.

Outro número gritante é o de aposentados e pensionistas, que mesmo com as sucessivas reformas da previdência não para de crescer, ultrapassando 28 milhões de pessoas.

Depois de duas décadas quase consecutivas de governos populistas de esquerda, dominado pelo petismo, o Brasil está compatível com a história de vida do próprio presidente que pouco trabalhou e logo virou líder sindical e político há mais de 50 anos.

Não é por menos que elegeu seu sucessor, o invasor de propriedade alheia e agora Ministro Guilherme Boulos, cuja função é fortalecer a dependência dos trabalhadores nos sindicatos, muitos dos quais apontados como responsáveis pelos recentes desvios dos aposentados.

Mesmo com toda essa proteção do Estado, uma em cada três famílias sofre insegurança alimentar, reflexo de como fomentar o ócio e a dependência não gera prosperidade, somente mais e mais pobreza.

Quem efetivamente trabalha, sustenta os outros parados.

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