
A morte, assim como a vida, está sempre nos pregando peças.
Quem a gente menos espera se vai, como se repetisse a letra “é tão estranho, os bons morrem antes”.
O recém-nascido tem a chamada expectativa ou esperança de vida, que corresponde ao número médio de anos que tende a viver ao longo da vida.
Reflete as condições sanitárias e socioeconômicas das pessoas, além de ser usado para calcular o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de uma dada região.
No Brasil a expectativa de vida das mulheres chega a quase 80 anos, enquanto homens ficam em pouco mais de 73 anos.
No Rio Grande do Sul, o índice aumenta dois anos em cada gênero, refletindo as melhores condições dos gaúchos.
A capital nacional da longevidade é Veranópolis, região de colonização italiana na serra gaúcha, onde é comum pessoas com mais de 90 anos.
É mais aceitável morrer após a média da esperança de vida.
Muito antes disso acaba ficando realmente mais difícil para aqueles que aqui ficam.
Semana passada faleceu um verdadeiro ser humano, com as qualidades que deveriam servir de exemplo aos demais.
Jezuíno Carlos Linhares Rodrigues, 59 anos.
Na Escola Aldeanos do Samba era o Mestre Zino.
Humilde, generoso, sereno, fala mansa, sábias palavras, trabalhador dedicado.
Cantava na igreja matriz, além de ser obreiro de Cristo.
A preparação da partida se deu com sua internação hospitalar durante as semanas anteriores.
Os amigos e familiares sempre nutrem esperança de que os enfermos melhorem e voltem à vida cotidiana.
Algumas vezes isso acontece, mas em outras a vida se esvai.
O velório é sempre um momento de sofrimento.
Ali está o corpo daquele que até a pouco tempo convivia com todos.
É o momento de despedida, de marcar na lembrança sua última presença física.
Do ponto de vista emocional, cultural e psicológico é um ritual de passagem que ajuda a lidar com a perda.
Velar é essencial para o processo de luto, pois ajuda a materializar a morte, algo de difícil aceitação no primeiro momento.
Igualmente serve para homenagear aquele que se foi, com palavras e orações.
O ambiente fúnebre auxilia no apoio entre amigos e familiares, aliviando a dor e a solidão da perda.
Muitos profissionais lidam com a morte no dia-a-dia, como agentes fúnebres, enfermeiros e médicos.
Dizem que enfrentam a partida com indiferença.
Acredito que aprenderam a passar por isso com silêncio e respeito.
Exemplo é meu amigo oncologista Eduardo Seefeld, que acompanha seus pacientes do diagnóstico ao tratamento e pós-tratamento do câncer, criando sempre com eles fortes vínculos.
Em sua rotina está sempre lidando com a finitude da vida, oferecendo suporte aos pacientes e familiares nos momentos mais delicados.
Não sabemos quando será nossa hora de partir, mas temos a certeza que partiremos um dia.
Que as almas que se vão, descansem em paz.
*Sociólogo, Doutor em História e Professor Titular da Universidade Federal do Pampa