Defesa Civil: confira o que diz estudo sobre palometas no Jacuí

Por 22 de setembro de 2021

A Defesa Civil de Cachoeira do Sul realizou um estudo para mapear a presença da espécie invasora de palometas e descobriu que as piranhas se alastraram por praticamente todo o sistema fluvial do Município. Do total de 277 exemplares capturados, 58,84% foram localizados no próprio Rio Jacuí. De acordo com pescadores e da comunidade ribeirinha, os animais também têm presença no Arroio Vacacaí (37,54%), no Arroio Botucaraí (1,44%) e em outros seis açudes das redondezas (2,16%).

As piranhas vermelhas de água doce são vorazes, fácil adaptação, se multiplicam rapidamente e atacam outros peixes. Se tornou cena comum no Estado os pescadores depararem apenas com carcaças ao revisarem as redes e espinhéis. Nativas do Rio Uruguai, os peixes apresentam dentes pontiagudos e de formato triangular que chegam a descarnar por completo bagres, jundiás, traíras e tambicas.

A infestação no Rio Jacuí impacta na renda de pescadores. No estudo feito em Cachoeira do Sul, 24,54% dos exemplares capturados tinham mais de 20 centímetros de comprimento. Além disso, 53,80% apresentavam entre 10 centímetros e 20 centímetros. Do total, 73% tinham ovas, ou seja, já em condições de reprodução.

O resultado do levantamento é debatido na tarde dessa quarta-feira, na Casa de Cultura de Cachoeira do Sul. Técnicos de órgãos – incluindo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Fundação Estadual de Proteção Ambiental, Emater, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Batalhão de Polícia Ambiental, entre outros – analisam os dados e discutem uma ação conjunta de combate à espécie.

Desde o início do ano há registros da presença do animal em quase toda a bacia do Jacuí, em Cachoeira do Sul, Rio Pardo, Vale Verde e General Câmara.

Uma possibilidade ventilada indica que os peixes tenham sido tragados pelas tubulações usadas para irrigar lavouras às margens dos rios Vacacaí e Ibicuí, onde se encontram as bacias do Uruguai e do Jacuí. As piranhas, então, foram se reproduzindo. Com comida farta, aumentaram de tamanho.

Com a escassez cada vez maior de dourados – espécie que se comporta como predador natural, a chegada das palometas ao Guaíba é tratada como questão de tempo. Além de consumir os demais peixes, as piranhas vermelhas costumam atacar humanos, especialmente se o banhista tiver ferimento nos braços ou pernas.