CUSTOS ELEVADOS NO CAMPO | Alívio pontual em insumos não neutraliza avanço das despesas operacionais e do impacto financeiro / Foto/Arte: Milos Silveira/Portal OCorreio
A rentabilidade do produtor rural brasileiro esteve sob pressão na safra 2024/25, refletindo um cenário em que a leve acomodação de alguns custos não tem sido suficiente para recompor margens. A avaliação é da consultoria Céleres, que aponta um cenário de estabilidade a uma pequena queda nominal nos custos diretos da produção agrícola em 2025, movimento ainda limitado diante do avanço persistente de outras despesas que pesam sobre o resultado final no campo.
A retração nos custos diretamente ligados à lavoura está associada, principalmente, à normalização da oferta global de fertilizantes, favorecida por um ambiente geopolítico menos turbulento. Soma-se a isso a reconfiguração do mercado de defensivos agrícolas, com maior participação de produtos genéricos e manutenção de estoques elevados ao longo da cadeia de distribuição. Esse conjunto de fatores ajudou a conter parte das despesas, mas sem provocar uma mudança estrutural no quadro de rentabilidade do produtor.
O principal foco de pressão segue concentrado nos custos operacionais. As despesas com logística avançaram em linha com a alta dos combustíveis, enquanto o cenário de pleno emprego tem reduzido a disponibilidade de mão de obra e impulsionado a inflação dos serviços. Paralelamente, a manutenção de taxas de juros em patamares elevados amplia o custo financeiro das operações, afetando de forma mais intensa produtores com algum nível de endividamento e reduzindo a eficiência econômica das atividades.
Como resultado, as margens da safra 2024/25 permaneceram estreitas, ainda que apresentem leve melhora em relação ao ciclo anterior. Nas condições analisadas pela Céleres, um produtor em terra própria, com soja na primeira safra e milho na segunda, alcançou margem EBITDA equivalente a 16,6 sacas de soja por hectare. Para a safra 2025/26, porém, a sinalização é de continuidade — e até intensificação — da pressão sobre os custos de produção, o que reforça a necessidade de gestão mais rigorosa e cautela no planejamento das próximas safras.
A margem EBITDA é um indicador financeiro que mostra, em percentual, a capacidade de uma empresa gerar caixa operacional a partir de sua receita, antes de juros, impostos, depreciação e amortização (LAJIDA em português). Ela mede a eficiência operacional do negócio, sendo calculada pela divisão do EBITDA pela Receita Líquida (EBITDA / Receita Líquida x 100) e é ótima para comparar empresas de diferentes portes e setores, revelando a rentabilidade “pura” da operação principal.
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