
O setor orizícola vive um de seus capítulos mais críticos nas últimas décadas. A cadeia produtiva, que envolve desde agricultores até indústrias de beneficiamento, enfrenta margens negativas, redução da atividade industrial e um ambiente de desânimo generalizado.
A crise atinge amplas regiões produtoras – do Rio Grande do Sul ao Norte do Brasil, passando também por Argentina e Uruguai. O único ponto fora da curva é o Paraguai, onde há leve expansão da área cultivada. Ainda assim, a combinação de estoques de passagem elevados e a previsão de uma safra menor no próximo ciclo pode alterar o quadro atual, abrindo espaço para uma valorização futura do grão.
No presente, porém, os números são preocupantes. Na fronteira oeste gaúcha, o arroz tipo Prado Branco gira entre R$ 54 e R$ 55 a saca, enquanto o Prado Parvo é negociado entre R$ 50 e R$ 51 — patamares distantes do custo mínimo de produção, estimado em R$ 70. A defasagem inviabiliza a rentabilidade do cultivo e restringe o fôlego financeiro das indústrias, que hoje operam com apenas 50% a 60% de sua capacidade.
O desequilíbrio fica ainda mais claro quando se analisa a conta do produtor: o investimento médio de R$ 15 mil por hectare retorna apenas R$ 12 mil a R$ 12,5 mil, consolidando prejuízos. Esse quadro explica a crescente insatisfação no campo e a retração de investimentos no setor.
Apesar da conjuntura adversa, analistas do mercado agrícola apontam para um possível ponto de inflexão. A perspectiva de queda na oferta e a absorção gradual dos estoques podem corrigir os preços no médio prazo, sinalizando um ciclo de recuperação. Para os produtores, trata-se de uma esperança concreta de que o cenário desfavorável comece a se reverter nos próximos meses.