Crédito rural enfrenta sua fase mais crítica em três décadas

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O crédito rural, pilar fundamental do agronegócio brasileiro, atravessa o momento mais delicado desde a implantação do Plano Real, em 1994. A constatação, feita pela Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), acende um sinal de alerta entre produtores e entidades do setor. A redução no volume de recursos disponíveis para custeio e investimento revela não apenas uma crise conjuntural, mas um enfraquecimento progressivo da principal ferramenta de sustentação da produção agrícola nacional.

Segundo o levantamento da Farsul, somente no primeiro trimestre da safra 2025/2026 — de julho a setembro — houve uma retração de 23% nos valores destinados ao custeio das lavouras em relação ao mesmo período do ciclo anterior. No caso dos investimentos, a queda é ainda mais acentuada: 44% em nível nacional. No Rio Grande do Sul, a situação é ainda mais preocupante, com reduções de 25% e 39%, respectivamente. “Ainda não chegamos ao ápice da crise”, resume a entidade, apontando que o aperto financeiro tende a se intensificar nos próximos meses.

Os números refletem um cenário de escassez de crédito que vem se agravando desde o início do ano. O aumento dos custos de produção, as dificuldades fiscais do governo federal e o maior rigor das instituições financeiras na liberação de recursos criaram um ambiente de restrição severa para o setor produtivo. Essa combinação de fatores compromete a capacidade de investimento em tecnologia, maquinário e expansão de área, além de afetar diretamente a sustentabilidade das pequenas e médias propriedades rurais — justamente as que mais dependem do crédito oficial.

Economistas e lideranças do agronegócio avaliam que o problema ultrapassa a sazonalidade de uma safra. O país vive uma fase de descompasso entre política agrícola e demanda produtiva, agravada pela volatilidade dos preços e pelas incertezas climáticas. A redução de recursos, afirmam, ameaça não apenas a competitividade interna, mas também o desempenho das exportações, que sustentam boa parte da balança comercial brasileira.

A tendência, segundo analistas, é que o crédito rural continue pressionado até que novas fontes de financiamento — como parcerias privadas e mecanismos de mercado de capitais — sejam fortalecidas. Enquanto isso, os produtores rurais convivem com um dilema cada vez mais comum: produzir menos para não se endividar mais.

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