Cortejo de Quicumbi celebra ancestralidade e cultura afro em Cachoeira do Sul

Cachoeira do Sul, · --°C

Cachoeira do Sul se prepara para reviver uma de suas tradições mais simbólicas de origem afro-brasileira. No próximo domingo (2), das 13h30 às 18 horas, acontece a quarta edição do Cortejo de Quicumbi, uma intervenção artística que retoma os fazerres ancestrais dessa manifestação popular negra de matriz Bantu afro-católica, que circulava pelos bairros e centro da cidade até o início do século XX.

Idealizado pela produtora cultural Náthaly Weber, o projeto é uma realização conjunta do Instituto Koinós, Lunar do Sopapo, Associação Comunitária Quilombola Jacinta Souza, de Rincão dos Negros (Rio Pardo), e do Ponto de Cultura Associação Rainha Ginga, com apoio do Programa Nacional dos Comitês de Cultura do Ministério da Cultura.

Em entrevista ao programa Conexão 99 – da Rádio Vale FM 99.1 -, a produtora cultural detalhou a iniciativa:

A proposta, segundo os organizadores, vai além da celebração: trata-se de uma ação de reconexão entre passado e presente, reverenciando a Santa Josefa e incluindo em seu roteiro os territórios negros reconhecidos pela Lei Municipal nº 101/2023. O evento também valoriza artistas negras por meio do projeto Expressões Negras, da Associação Rainha Ginga, e promove a reflexão sobre políticas públicas culturais que reconheçam os festejos populares como motores de desenvolvimento social, educativo e econômico.

História e legado

O Cortejo de Quicumbi começou a ser retomado em 2022, com base em pesquisas de nomes como Lair Vidal, Alexandre Florez, Vagner Barreto e Luciana Prass, além do porto-alegrense Richard Serraria e mestres quilombolas como Joelita David, de Rio Pardo, e Luis Faustino de Tavares. Esses pesquisadores e artistas foram fundamentais para reconstruir a história e o significado do Quicumbi na Região.

Crédito:Reprodução

Programação 2025

As atividades de 2025 iniciam na Casa de Cultura Paulo Salzano Vieira da Cunha, com a exposição Expressões Negras 2025, das artistas Janine Vidales e Reginara Verdum, das 13h30 às 16 horas.

Às 14 horas, o auditório da Casa de Cultura recebe o Círculo de Cultura: aprimorando o fazer cultural, coordenado por Náthaly Weber. A roda de conversa reunirá produtores e agentes culturais para compartilhar experiências e práticas. Participam:

  • Anderson Gonçalves, da Trupi di Trapu Teatro de Bonecos – A produção cultural como instrumento para a educação antirracista;
  • Renata Pinhatti, da Rede Sofá na Rua Brasil – Mobilização e articulação para construção de projetos coletivos;
  • Cláudia Ellen, presidente do Ponto de Cultura Associação Rainha Ginga – Acessibilidade cultural na prática começa na elaboração do projeto;
  • Leandro Silva, do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo – Monitoramento e avaliação como ferramenta para fortalecimento dos fazeres culturais;
  • André de Jesus, do Comitê de Cultura do RS – A importância das redes para os Pontos de Cultura.

O Ponto de Cultura Associação Rainha Ginga também encerrará o ano de homenagens a artistas negras, apresentará seu Conselho Gestor Comunitário e celebrará a chegada de um novo integrante simbólico: o Tambor Sopapo, confeccionado pelo mestre luthier José Batista, de Pelotas, e batizado pelo grupo Nobre Tamboreiro.

Cortejo e celebrações

Às 16h20, as atividades se deslocam para a Praça José Bonifácio, onde haverá ensaio dos cânticos, mini oficina de toques de congadas e a coroação da Rainha Ginga Lair Vidal e do Rei do Congo Adão Correa. O Cortejo de Quicumbi sairá da frente do antigo Bar América em direção à Capela de Santa Josefa, às 17 horas, encerrando a programação em um momento de fé, ancestralidade e celebração coletiva.

Reconhecimento nacional

O projeto Cortejo de Quicumbi já é destaque nacional. Foi finalista da 36ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, promovido pelo IPHAN, e está presente no Guia do Afroturismo no Brasil – Roteiros e experiências da cultura afro-brasileira, produzido pelo Ministério do Turismo em parceria com a UNESCO.

Com cada edição, o Cortejo reafirma o papel de Cachoeira do Sul na valorização da memória afro-brasileira e no fortalecimento das identidades culturais locais, transformando tradição em movimento e resistência em arte.

Serviço:
📅 Data: 2 de novembro
🕐 Horário: das 13h30 às 18 horas
📍 Locais: Casa de Cultura Paulo Salzano Vieira da Cunha e Praça José Bonifácio – Cachoeira do Sul
📞 Contato: (51) 98513-5771 | [email protected]

Apoio: CPERS 4º Núcleo, Intersindical Cachoeira do Sul e Secretaria Municipal de Cultura.
Realização: Instituto Koinós, Lunar do Sopapo, Associação Comunitária Quilombola Jacinta Souza, Ponto de Cultura Associação Rainha Ginga e Programa Nacional dos Comitês de Cultura.

Crédito:Reprodução
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