
O Conselho Escolar da EMEF Dinah Néri Pereira divulgou uma nota de repúdio após o grave acidente ocorrido durante uma formação continuada promovida pela Secretaria Municipal de Educação de Cachoeira do Sul, realizada nas dependências do Sindicato dos Professores Municipais (SIPROM).
O episódio, marcado pela explosão de uma fogueira improvisada utilizada na atividade, deixou a professora Eveline Miguel com 28% do corpo queimado, o que levou à sua internação na UTI por vários dias. O caso, classificado pela comunidade escolar como “descaso e irresponsabilidade institucional”, provocou forte reação entre educadores e familiares.
Na nota, o Conselho cobra respostas imediatas da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Educação, exigindo esclarecimentos sobre:
A assistência efetiva prestada à professora e à sua família;
A justificativa para o uso de fogo alimentado por combustível em uma atividade pedagógica;
Os protocolos de segurança adotados e se houve fiscalização adequada;
Quais medidas estão sendo tomadas para apurar responsabilidades e evitar novos acidentes.
Além das cobranças ao poder público, o documento também direciona críticas ao SIPROM, responsável pelo espaço onde ocorreu o acidente. A comunidade escolar questiona a entidade sobre seus planos de prevenção e proteção contra incêndio, bem como as providências adotadas em apoio à professora Eveline e seus familiares.
O texto ainda denuncia a sobrecarga imposta aos docentes com formações excessivas e demandas acumuladas, ressaltando que a falta de condições dignas de trabalho contribui para o desgaste da categoria e a desvalorização da profissão.
“Não basta amparar as vítimas apenas quando ocorre uma tragédia: é obrigação do poder público trabalhar para antecipar, planejar e evitar”, afirma o documento, reforçando que a mobilização da comunidade escolar continuará até que haja esclarecimentos completos, responsabilização dos envolvidos e garantia de ambientes seguros para os profissionais da educação.
A nota é assinada pela presidente do Conselho Escolar, Gisele de Freitas Fagundes Wommer, e conta com o apoio da comunidade escolar da EMEF Dinah Néri Pereira.
Confira a nota na sua íntegra:
Nota de Repúdio
O Conselho Escolar da EMEF Dinah Néri Pereira, em nome de toda a comunidade escolar, manifesta o mais veemente repúdio diante do estarrecedor acidente ocorrido durante a formação continuada promovida pela Secretaria Municipal de Educação de Cachoeira do Sul, realizada no Sindicato dos Professores Municipais. A explosão de uma fogueira improvisada, que deixou a professora Eveline Miguel com 28% do corpo queimado necessitando internação de vários dias na UTI, deve ser tratada como descaso e irresponsabilidade institucional.
Exigimos que a Prefeitura Municipal e a Secretaria de Educação assumam sua responsabilidade, fornecendo resposta IMEDIATA e pública para todos os professores da rede municipal. A comunidade escolar exige saber, com total transparência:
- Qual assistência efetiva a professora Eveline Miguel e sua família estão recebendo do município?
- As circunstâncias do acidente: qual a necessidade de utilização de uma fogueira alimentada com combustível durante uma formação pedagógica de professores da Educação Infantil? Quais protocolos de segurança foram seguidos para utilização do equipamento? O equipamento utilizado está submetido à regulamentação e à fiscalização de algum órgão competente?
- Que medidas concretas e IMEDIATAS estão sendo tomadas para apurar os fatos, responsabilizar os envolvidos, e evitar que algo semelhante ocorra novamente?
- Quais ações preventivas estão sendo adotadas no que diz respeito à segurança dos ambientes e das atividades promovidas?
Ademais, é imprescindível que o Sindicato dos Professores preste contas detalhadas à categoria e à sociedade sobre os planos de prevenção e proteção contra incêndio (PPCCI) vigentes em suas dependências, especialmente considerando a autorização para uso de materiais inflamáveis nesses espaços. É fundamental esclarecer quais controles e fiscalizações são efetivamente realizados para garantir a segurança do local.
O Sindicato dos Professores Municipais também tem responsabilidade direta na defesa da integridade física e da saúde mental dos professores do município. Solicitamos informações transparentes e específicas sobre as ações do SIPROM diante do ocorrido em suas instalações: que medidas foram adotadas em resposta ao episódio, qual tipo de suporte efetivo está sendo oferecido à professora Eveline Miguel e à sua família, e como a entidade está assumindo o seu papel legal e ético de amparo à categoria, tanto no acolhimento imediato quanto na prevenção de novos riscos. Exigimos responsabilidade, clareza, e comprometimento público do Sindicato com a segurança dos profissionais que representa.
Reforçamos que sobrecarregar os professores com formações excessivas e demandas acumuladas é absolutamente inaceitável, sobretudo em um contexto no qual a profissão sofre uma crescente desvalorização. O excesso de afazeres e a ausência de condições dignas alimentam o desgaste físico e emocional da categoria, tornando a carreira menos atrativa e comprometendo a qualidade da educação oferecida à população. É urgente que se respeitem os direitos dos educadores, garantindo-lhes um ambiente de trabalho justo, com carga horária equilibrada e valorização real do seu papel social.
Repudiamos qualquer tentativa de minimizar o fato envolvendo a professora Eveline. Não basta “amparar” as vítimas apenas quando ocorre uma tragédia: é obrigação do poder público trabalhar para antecipar, planejar e evitar. Demonstrar respeito ao magistério significa garantir direitos e segurança, não apenas prestar solidariedade a posteriori.
Exigimos respostas, medidas urgentes e respeito total à vida e dignidade dos educadores. A comunidade escolar permanecerá mobilizada até o completo esclarecimento, responsabilização dos envolvidos e garantia de condições seguras e humanas para todos os profissionais.
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