A definição dos integrantes da comissão especial da Câmara de Vereadores de Cachoeira do Sul, que vai analisar o plano de equilíbrio financeiro do Fundo de Aposentadoria e Pensão do Servidor (Faps), provocou uma série de embates entre vereadores da base governista e da oposição durante sessão plenária nesta semana. As discussões revelaram divergências sobre representatividade, condução do processo e respeito entre os parlamentares.
A polêmica teve início com a manifestação da vereadora Mariana Carlos (PT), que criticou a exclusão da oposição da comissão responsável por avaliar o plano que busca equacionar o déficit atuarial do FAPS, atualmente estimado em R$ 113 milhões, conforme relatório da Lúmens.

Debate na Câmara ganhou tom acalorado na sessão desta segunda-feira
Segundo Mariana, a ausência de diversidade no grupo compromete o debate. “Quando a gente fica de fora de uma comissão, nós, enquanto oposição, a gente percebe isso. Não quer dizer interferência, não é dos poderes. Isso quer dizer tão somente que é confortável para o governo quando a oposição não está nas comissões, porque é uma pessoa a menos perguntando coisa, é uma pessoa a menos debatendo, é uma pessoa a menos abrindo a boca”, declarou.
Para ela, a formação da comissão reflete o domínio da base governista sobre os espaços decisórios: “O bloco que coordena a Câmara de Vereadores e que fez um acordo para dirigir a Mesa por quatro anos é o bloco que tem aprovado tudo nesta casa. Muitas das coisas, inclusive, sem debate”.
A fala causou forte reação da vereadora Daniela Santos (PL), que afirmou ter se sentido pessoalmente atingida. “Eu tenho uma família, eu tenho um nome a zelar. Eu sou uma pessoa muito tranquila e sempre fui durante esses 13 anos dentro dessa casa. Eu não tenho o porquê, muitas vezes, de ter o nome enxovalhado numa rede social”, desabafou.
Em seguida, Daniela anunciou que abriria mão da sua vaga na comissão. “Respeitando a sua vontade e o seu desejo, eu coloco meu nome à disposição da senhora na comissão. E, a partir de hoje, a senhora faça parte”, declarou.
A vereadora Juliana Spolidoro (PSDB) também rebateu as críticas da oposição, dizendo que a função da comissão é técnica, e não deliberativa. “É muito feio e cansativo essa pauta, para tentar colocar a gente como uns monstros. Comissão especial é só para dizer se é legal ou não. Parece que somos uns monstros que agora vão botar fogo no FAPS. Bah, que encheção de saco, na boa”, afirmou.
O vereador Ryan Rosa (PT) endossou a crítica de Mariana e apontou um erro na condução do processo de formação da comissão. “Teve um equívoco administrativo, que foi colocado no parecer. Houve um equívoco, sim. Estava escrito ‘líderes de bancada’. Chegou para todos os líderes de bancada? Não chegou”, argumentou. Ryan reforçou que a oposição quer contribuir: “Queremos contribuir, porque fala sobre a vida dos servidores, e os servidores fazem parte dessa cidade. Se houve equívoco, tem que reconhecer”.
Já Alex da Farmácia (Republicanos) reagiu com firmeza às falas da oposição. “O que a vereadora deixou nas entrelinhas é que já estava tudo acertado, que os três membros já teriam votado sim. A senhora já falou algumas inverdades. A senhora está tendo como característica o que seu partido tem: imposição. Nós já estamos acostumados com os gestos e as maneiras. Só vocês fazem o bem para Cachoeira? É o partido do amor? Então só vocês podem falar?”, questionou.
O vereador Serginho Quoos (PSDB) apelou por mais serenidade no debate. “Na política, precisamos de sabedoria, justiça, coragem e temperança. Achar o erro é fácil. Corrigir é mais difícil”, disse, em tom conciliador.
O presidente da Câmara, Magaiver Dias (PSDB), reconheceu falha de comunicação no processo, mas afirmou que o trâmite regimental foi seguido. “Semana passada houve um pedido informal para que todas as bancadas oficializassem seus nomes. Eu anotei, mas somos humanos e falhamos. Não aceito inverdades nem narrativas. Está ficando desrespeitoso com os 15 vereadores eleitos. Todos representam uma parcela da comunidade”, afirmou.
Encerrando os pronunciamentos, o vereador Edimar Garcia (PL) defendeu sua colega de partido, Daniela Santos. “Vamos virar essa página. Ninguém sai de casa para fazer mal à cidade. Estamos nos expondo, inclusive nossas famílias. Não estamos aqui para brincadeira”, concluiu.
Apesar da tensão, o episódio evidenciou a disputa por espaços de participação na Câmara e reforçou a importância de ampliar o diálogo em torno de decisões que envolvem o futuro do FAPS e dos servidores públicos municipais.