Como a fusão DEM e PSL mexe com a política em Cachoeira?

Por 9 de setembro de 2021

Uma novidade até mesmo para as direções das siglas em Cachoeira do Sul. Assim é a possibilidade cada vez mais real da fusão entre Democratas e Partido Social Liberal. Os partidos devem anunciar a união no próximo 21, em Brasília. Líderes têm feito convites informalmente para a cerimônia. No entanto, as duas siglas no Município estão ainda em fase de buscar mais detalhes sobre a decisão e avaliação a respeito das consequências na política cachoeirense.

Em termos de filiações, caso a fusão não motive saídas, o novo partido passaria a contar com 813 filiados, ficando atrás daquelas siglas que já possuem mais de 1 mil componentes em Cachoeira do Sul: MDB, com 1.958; PSDB, com 1.902; PDT, com 1.466; e PP, com 1.166 filiados. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral – de maio, mês mais atual do levantamento, o DEM conta com 793 inscritos e o PSL, 20.

Dentro do bolo de filiações, o novo partido resultante da fusão entre DEM e PSL teria cerca de 7,41% do total – 10.882 filiados no Município. Além disso, já contaria com uma cadeira na Câmara de Vereadores, atualmente ocupada por Felipe Faller, do PSL. “Nada foi discutido sobre o assunto na executiva ainda”, indica o vereador que soube nesta quarta-feira a respeito das tratativas nacionais.

Já o presidente do PSL em Cachoeira do Sul, Alexandre Cassol, destaca a posição da sigla local a favor de Bolsonaro no contexto da fusão. “Com a gente não foi discutido nada. Eles sabem que Cachoeira do Sul é um das poucas cidades que tanto a executiva quanto seus filiados são praticamente 100% bolsonaristas. Acredito que somos uma das últimas executivas de pé ainda que defendem Bolsonaro. Por isso que não vieram tratar nada com a gente ainda. Fomos pegos de surpresa”, completa Cassol.

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Crédito: PSL/Cachoeira do Sul

As lideranças dos dois partidos em Cachoeira do Sul compartilham da posição favorável ao presidente da República, Jair Bolsonaro. No entanto, o presidente do DEM em Cachoeira do Sul, Carlos Aguiar, antecipa sua posição contrária para a reportagem do Portal OCorreio. “Nossa posição é contrária. Essa foi uma ação isolada da Executiva Nacional que não teria consultado as executivas estaduais. A do Rio Grande do Sul com certeza não foi”, justifica.

No pleito municipal de 2020, Aguiar chegou a ser anunciado pré-candidato para prefeito pelo DEM, mas abriu mão da candidatura e apoiou Leandro Balardin, do PSDB. Já pelo PSL, o candidato foi Francisco De Paula Vargas Junior. “Eu não tenho nenhuma informação oficial sobre o assunto. Inclusive sei de outras tentativas de fusão. Penso que são partidos de Direita buscando a união para se fortalecerem frente ao próximo pleito eleitoral. Até ai tudo bem.
Se essa fusão acontecer, deverão haver descontentes que irão buscar outras legendas, mas a maioria dos filiados vai se adequar e trabalhar para se a opção viável em 22”, analisa.

Em nível nacional, a união das duas legendas, que se encontra em fase final, pode resultar no maior partido do país: PSL tem 53 parlamentares na Câmara dos Deputados, e o DEM, 28. Ou seja, o novo partido totalizaria 81 deputados.

O nome da sigla ainda é discutido. Já o número deve ser o 25, do DEM, descartando o 17, do PSL.

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Crédito: DEM/Cachoeira do Sul

Rusgas precisam ser superadas para o alinhamento dos grupos internos dos dois partidos. Filiado ao DEM e ministro do Trabalho e da Previdência Social, Onyx Lorenzoni criticou uma nota divulgada por seu partido e o PSL contra o discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas manifestações de 7 de setembro.

Ex-presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia já afirmou que foi traído pelo presidente do DEM, ACM Neto, e, por isso, deixou a sigla.