Com alta no preço dos combustíveis, motoristas puxam o freio de mão

Por 26 de outubro de 2021

Alta no preço dos combustíveis leva cachoeirenses a diminuírem fluxo de veículos pela cidade, embora a praça de Cachoeira do Sul não esteja entre as mais caras do Estado / Foto: Milos Silveira

 

A alta no preço dos combustíveis registrada neste começo desta semana fez os motoristas literalmente puxarem o freio de mão. Quem circulou por Cachoeira do Sul nesta segunda (25) e também durante esta terça-feira (26) notou uma movimentação de veículos mais retraída pelas ruas centrais, reflexo do reajuste do preço nas bombas.

Um frentista que não quis se identificar afirma que é visível a diminuição no movimento e nas vendas, inclusive nos horários de pico. Funcionário de um posto da parte alta da cidade, região onde os revendedores comercializam o combustível com preços mais altos, ele relata que é perceptível que quem está ao volante circula pelo interior do posto e olha o preço nas bombas para pesquisar em busca de preços mais em conta na hora de abastecer.

“Ao contrário de antes, quando o preço estava mais estabilizado e boa parte do pessoal já formava uma clientela mais fixa, agora a gente nota que o cliente não está mais tão fiel assim na hora de abastecer. A verdade é uma só: todo mundo está pesquisando preço”, relata.

OS PREÇOS EM CACHOEIRA

Na parte alta da cidade, região que onde se concentra a maioria dos postos de combustíveis, a gasolina comum é vendida, em média, a R$ 6,99. Já na área central, é possível encontrar o litro valendo R$ 6,89. Entretanto, quem circulou pela Avenida Marcelo Gama na tarde desta terça-feira conseguiu encontrar a gasolina comum com preços entre R$ 6,65 e R$ 6,75.

Embora os preços da gasolina comum estejam realmente elevados, a praça de Cachoeira do Sul não está entre as mais caras do Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, a maioria dos postos comercializa o litro a R$ 7,19. Em Bagé, na região da Campanha, o litro chega a custar R$ 7,59 em grande parte dos postos de combustíveis.

 

ATENÇÃO

A disparada no preço da gasolina tem dificultado a vida dos motoristas de aplicativos e levou a uma devolução de 30 mil veículos às locadoras de automóveis de junho até agora. O dado é da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla). Os aplicativos, de um modo geral, negam que há falta de motoristas, embora as associações que representam a categoria já sinalizaram uma debandada de profissionais.

Diante da dificuldade das montadoras de veículos na produção, sobretudo com a crise provocada pela falta de semicondutores no mercado, a idade média da frota das locadoras de automóveis do país disparou de algo entre 14 e 15 meses para 23 meses.

Com a crise, as montadoras estão pedindo entre 240 e 300 dias para entregar os veículos. Antes, o prazo rondava 90 dias a depender do modelo.

 

Gasolina e diesel subiram nas refinarias

Os preços da gasolina e do óleo diesel vendidos nas refinarias da Petrobras aumentaram a partir desta terça-feira (26), segundo anúncio da estatal. O litro da gasolina pura (ou seja, antes da mistura obrigatória com etanol anidro) sobe R$ 0,21 e chega a R$ 3,19 em média. Considerando-se a gasolina já misturada ao álcool, a alta é de R$ 0,15. Com isso, o litro do combustível passa a custar R$ 2,33 em média.

Já o óleo diesel puro (antes da mistura com biodiesel) teve aumento médio de R$ 0,28 por litro e passa a custar R$ 3,34. O litro do diesel já misturado ao biodiesel fica R$ 0,24 mais caro, passando a custar R$ 2,94 em média.