#ColunadoTonet – Transporte Coletivo: Muito Plano, Pouca Ação

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Redação/Portal OCorreio

Nesta quarta-feira, 1º de outubro, o prefeito Leandro Balardin, acompanhado do secretário extraordinário de Transporte, Orion Ponsi, apresentou à população de Cachoeira do Sul um plano de trabalho para a licitação do transporte coletivo urbano. A proposta, segundo os mandatários, almeja conferir transparência e segurança jurídica ao processo. Contudo, o que se revelou foi um cronograma excessivamente dilatado, de natureza burocrática e, sobretudo, divorciado da premência que o tema impõe.

É inadmissível que a concretização de uma promessa de campanha — cuja urgência é auto evidente — seja projetada para um horizonte de quase dois anos, como se o tempo político pudesse ignorar o tempo social. O transporte coletivo constitui um serviço público essencial, e sua precariedade reverbera diretamente na vida de milhares de cidadãos que dependem de veículos pontuais, seguros e minimamente confortáveis para exercerem seus direitos de ir e vir. A empresa TNSG, atual concessionária, tem se manifestado publicamente em favor da licitação, não por altruísmo, mas por absoluta ausência de segurança jurídica que lhe permita investir com responsabilidade. Sem contrato de longo prazo, não há como renovar frota, ampliar itinerários ou aprimorar a qualidade do serviço.

Convém recordar que, na gestão anterior, houve uma tentativa de licitação. Os estudos técnicos foram realizados, pagos com recursos públicos e permanecem disponíveis. Demandam, é verdade, atualização metodológica, mas não justificam a inércia administrativa. O conhecimento acumulado está à disposição.

O prefeito pode acordar cedo, cumprir expediente e marcar presença em solenidades, mas isso não basta. Prometer é fácil; cumprir com eficácia e dentro de prazos razoáveis é o que distingue o gestor público comprometido do político convencional. A liturgia do cargo exige mais do que presença física. Exige entrega, discernimento e coragem para enfrentar os entraves da máquina estatal.

A população não deseja mais planos genéricos, cafés com comunicação ou apresentações de PowerPoint que se encerram em si mesmas. Quer ônibus que circulem em horários compatíveis com a realidade dos trabalhadores e estudantes e um sistema que respeite o cidadão como sujeito de direitos.

Como bem dizia Ulysses Guimarães, “a lentidão da máquina pública é a morte da esperança popular”. E a esperança do povo cachoeirense já se encontra exaurida, à espera de um gesto concreto que a resgate do limbo da procrastinação.

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