

Na última quinta-feira (11), o prefeito Leandro Balardin assinou um decreto que muda a forma como muitos servidores públicos vão trabalhar. A partir de agora, quem ocupa cargos efetivos na Prefeitura poderá exercer suas funções de casa, de forma parcial ou até permanente. Mas atenção: isso não é pra todo mundo. Quem está em estágio probatório, ocupa cargos de chefia ou precisa estar presencialmente para atender o público, por exemplo, não entra nessa nova regra.
Mas aí vem a pergunta que não quer calar: como saber se o servidor está realmente trabalhando de casa? O decreto foi claro: só vai poder fazer teletrabalho quem tiver uma função que permita medir a produtividade de forma objetiva. Ou seja, tem que dar pra saber se o trabalho está sendo feito, mesmo à distância. E mais: o servidor precisa garantir que tem estrutura em casa, manter contato com a chefia, atender convocações presenciais e cuidar do sigilo das informações. Não vai ter hora extra nem adicional noturno, porque não tem ponto eletrônico no home office.
Esse tipo de mudança exige responsabilidade e confiança. E é aí que entra um exemplo que está dando o que falar: o caso do Banco Itaú. Nesta semana, o banco demitiu cerca de mil funcionários que trabalhavam remotamente, alegando baixa produtividade. O banco usou softwares que medem o tempo de uso do computador e cruzam esses dados com o ponto eletrônico. Em alguns casos, os funcionários estavam ativos apenas 20% do dia, mas registravam horas extras. O banco disse que isso fere os princípios de confiança da empresa.
O problema é que muitos desses trabalhadores alegam que estavam disponíveis, participando de reuniões e cumprindo metas. O sindicato dos bancários criticou duramente as demissões, dizendo que não houve diálogo, nem advertência prévia. E que esse tipo de vigilância digital pode gerar pressão, afetar a saúde mental e criar um ambiente de trabalho opressivo.
Agora, vamos pensar juntos: se isso acontece numa empresa privada, com lucros bilionários, o que pode acontecer no serviço público, que tem como principal objetivo atender a população?
A Prefeitura precisa garantir que o teletrabalho não vire desculpa para falta de atendimento, demora em processos ou queda na qualidade dos serviços. O povo de Cachoeira do Sul merece servidores comprometidos, seja no gabinete, seja no sofá de casa. E mais: merece transparência. Como será feita essa medição de produtividade? Quem vai fiscalizar? E se houver falhas, como será o processo de correção?
*Ronaldo Tonet é jornalista, produtor e apresentador do Vale Informação – da Rádio Vale FM 99.1