
O relatório mais recente do Fórum Econômico Mundial mapeou os principais riscos globais considerando o curto e o longo prazos.
No longo prazo, daqui a cerca de uma década, os maiores riscos estão ligados às mudanças climáticas. Entre eles estão eventos climáticos extremos mais frequentes, perda de biodiversidade, colapso de ecossistemas e degradação ambiental. A temperatura média global está subindo, os oceanos estão mais quentes com secas e chuvas extremas se tornando mais comuns.
O impacto disso sobre a economia inclui o encarecimento dos alimentos, a destruição da infraestrutura e o aumento dos gastos públicos. O próprio FMI já admite que o clima se tornou uma variável central da análise macroeconômica. Ignorar isso hoje é uma atitude que só fará a conta ficar maior quando ela chegar.
No longo prazo, há também os riscos decorrentes da desinformação associada às novas tecnologias. Ferramentas mais poderosas da internet, quando usadas sem nenhum controle, tendem a corroer a confiança social, a piorar a polarização e a enfraquecer instituições.
Quanto ao curto prazo, um horizonte de até dois anos, o maior perigo é a confrontação geoeconômica. O mundo está mais hostil, com disputas comerciais, sanções, protecionismo e conflitos armados cada vez mais próximos das cadeias produtivas. A postura agressiva das grandes potências, inclusive entre aliados históricos, aumenta a instabilidade e afasta investimentos.
Também surgem a polarização social e os efeitos colaterais do uso acelerado da inteligência artificial, criando um ambiente político disfuncional, no qual as decisões racionais dão lugar à mentira e à gritaria.
E o Brasil, como fica nisso tudo? Há dificuldades, é claro, mas também algumas vantagens. O país está fora do centro das grandes tensões militares, tem uma matriz energética relativamente limpa e é uma potência agrícola em um mundo que continuará precisando de alimentos. Se fizer o básico, como manter a estabilidade institucional, a responsabilidade fiscal e uma política ambiental minimamente séria, poderá atrair investimentos que estão fugindo de regiões mais instáveis.
No entanto, não há milagres. As vantagens de curto prazo só se sustentam se houver visão de longo prazo. O relatório do Fórum Econômico Mundial destaca que ainda é possível evitar um futuro pior. Cabe aos dirigentes — ou seja, aos políticos — optar por fazer as coisas certas hoje, mesmo com prejuízos políticos imediatos, para evitar danos maiores amanhã.
– Ronaldo Tonet