#ColunadoTonet – Os que vieram para ficar

Cachoeira do Sul, · --°C

A imigração italiana no Rio Grande do Sul completou 150 anos em 20 de fevereiro, mas é sempre oportuno lembrar que esse marco foi construído com sacrifício e coragem. Como relata Antônio de Ruggiero em seu livro “A Hora de Partir”, o momento da despedida não teve romantismo. As famílias, sobretudo da Toscana, mas também do Vêneto, de Trento e da Lombardia, deixaram sua terra natal por necessidade: faltava terras, a crise econômica era grande e a miséria crescia, após a unificação italiana.

Ao chegarem ao estado, a partir de 1875, os italianos fincaram raízes com trabalho duro, fé, disciplina e vida comunitária. Na Serra, ergueram as primeiras colônias; depois, vieram outras, como a Quarta Colônia, entre Santa Maria e a Serra, que preserva de forma exemplar a herança italiana. Sobrenomes como Bortoluzzi, Manfredini, Cadó, De Rigo, Cecchin, Cassol e Pasa ainda identificam famílias que mantêm o dialeto, a gastronomia, a religiosidade e a tradição de fazer as coisas em conjunto.

O impacto no Brasil e no Rio Grande do Sul foi direto: substituição do trabalho escravo pela agricultura familiar organizada, diversificação dos cultivos, fortalecimento do cooperativismo, da indústria de alimentos e da vida comunitária, com a igreja, a escola e a sociedade recreativa como pilares.

Cachoeira do Sul recebeu um fluxo menor de imigrantes, mas também incorporou influências italianas em suas comunidades rurais, no comércio e nos costumes, marcas que permanecem em sobrenomes e tradições familiares.

Os 150 anos da imigração italiana pedem respeito às origens. Não é hora de reinventar a tradição, mas de preservá-la como foi construída, com família, fé, trabalho e transmissão fiel dos valores de geração em geração. É assim que a história permanece. Obrigado imigrantes!

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Poetando
por Zé da Praça, no dialeto Talian

Vèn, nona, col tuo coraçón,
Contando storia sul camìn…
La tera, el vin, la tradission,
Fa de ’sta vita un destin.

(“Vem, nona, com teu coração,
Contando história ao pé do fogão…
A terra, o vinho, a tradição,
Fazem desta vida um destino.”)

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