
Exercer um cargo público no Executivo é uma missão complexa e desafiadora. O prefeito, por exemplo, não governa sozinho: precisa ouvir a população, dialogar com os vereadores, atender às recomendações do Ministério Público e seguir as orientações do Tribunal de Contas. Tudo isso sob o rigor da Lei de Responsabilidade Fiscal, que exige equilíbrio entre receitas e despesas, mesmo diante de demandas urgentes.
Muitos gestores, acuados pelas críticas da imprensa ou pelas pressões políticas, acabam se fechando em gabinetes, evitando o contato franco com a sociedade, acreditando apenas nos seus assessores diretos, o que o afasta mais ainda da realidade das ruas. Mas esse isolamento mental é um erro. A transparência e a franqueza na comunicação social são ferramentas poderosas para construir confiança e enfrentar crises, demonstrando maturidade. E ter humildade de entender que não pode tudo, é uma virtude a ser cultivada.
Em cidades onde prefeitos tomaram decisões sem diálogo, ignorando alertas dos órgãos de controle, inclusive a voz das ruas, fazendo contratações irregulares ou obras sem o rigor nas licitações, os resultados foram desastrosos: ações judiciais e o afastamento do prefeito, como aconteceu em Cachoeira do Sul.
A verdade é que quem mais sofre com a má gestão é o cidadão comum. Aquele que espera o posto de saúde funcionando, a escola com merenda, a rua sem buracos. A população não quer desculpas, quer serviço público com celeridade e respeito.
Por isso, governar exige coragem para ouvir, humildade para reconhecer erros e firmeza para tomar decisões com base na legalidade e no interesse coletivo. O bom gestor não se esconde: ele se comunica, presta contas e constrói pontes. Porque, no fim das contas, o verdadeiro legado de um mandato não está apenas nas obras feitas, mas na confiança que se deixa e na dignidade que se promove.
E mais: é preciso entender que a crítica não é inimiga da gestão. Quando bem fundamentada, ela aponta caminhos, corrige rumos e evita que erros se repitam. Prefeitos que se abrem ao diálogo com a imprensa, com os órgãos de controle e com a sociedade civil demonstram maturidade institucional e compromisso com a democracia. Afinal, transparência não é apenas um dever legal, é uma atitude ética que aproxima o poder público da sua razão de existir: servir bem ao povo.