#ColunadoTonet – Novo licenciamento ambiental: avanço ou retrocesso?

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Hoje há um tema que está no centro de um intenso debate nacional: as mudanças na legislação de licenciamento ambiental (Lei nº 15.190/2025), os vetos presidenciais e as recentes ações policiais envolvendo a mineração no Brasil.

O Congresso Nacional aprovou um projeto que alterou profundamente as regras para o licenciamento ambiental de empreendimentos. Entre as novidades, está a criação da Licença por Adesão e Compromisso, que é um autolicenciamento, e a Licença Ambiental Especial, para obras consideradas “estratégicas”.

Para muitos especialistas e ONGs ambientalistas, essa medida representa um retrocesso. Eles alertam que o chamado “autolicenciamento”, por exemplo, pode abrir brechas perigosas para empreendimentos de médio e alto impacto ambiental operarem sem o devido controle. O governo federal, por sua vez, vetou 63 dispositivos do PL, alegando que alguns pontos colocavam em risco a proteção ambiental e os direitos de comunidades tradicionais. Mas esses vetos ainda podem ser derrubados pelo Congresso.

E como se não bastasse, essa discussão ganhou novos contornos com a recente operação da Polícia Federal que prendeu o presidente da Agência Nacional de Mineração e outras pessoas ligadas ao setor em Minas Gerais. A investigação aponta suspeitas de corrupção e favorecimento indevido a empresas mineradoras. Esse episódio lança luz sobre os riscos de flexibilizar ainda mais os controles ambientais num país que já convive com tragédias como Brumadinho e Mariana.

ONGs como o Instituto Socioambiental e o Observatório do Clima têm se posicionado firmemente contra essas mudanças. Elas defendem que o licenciamento ambiental não é um entrave ao desenvolvimento, mas uma garantia de que ocorra com responsabilidade. Afinal, o planeta não pode esperar. O equilíbrio entre progresso econômico e proteção ambiental é uma necessidade urgente, não uma escolha ideológica.

É verdade que muitos empreendedores reclamam da morosidade na liberação de licenças. Mas é preciso separar o joio do trigo. Há quem queira apenas acelerar processos legítimos, mas também há quem deseje um “liberou geral”, onde o lucro imediato se sobrepõe ao bem coletivo. Sem fiscalização, sem critérios técnicos, sem transparência, o risco de danos irreversíveis ao meio ambiente aumenta exponencialmente.

O ideal é que todos – governo, empresas e sociedade – sigam normas claras e eficazes que visem a proteção do nosso patrimônio natural. O Brasil é um dos países mais ricos em biodiversidade do mundo. Mas essa riqueza só terá valor se for preservada. O desenvolvimento sustentável não é um obstáculo, é o caminho.

Fica aqui a reflexão: queremos um país que cresce com responsabilidade ou um país que destrói para crescer? A escolha é nossa. E ela começa com o respeito às leis, à ciência e à vida.

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