
A presença feminina na política mundial ainda é um longo caminho a ser percorrido. Apesar de alguns avanços, o poder continua sendo, em grande parte, um território masculino. Em média, apenas 26% das cadeiras parlamentares no mundo são ocupadas por mulheres, segundo a ONU. No entanto, há ilhas de progresso, como Islândia, Finlândia e Nova Zelândia, onde a paridade de gênero já é quase uma realidade. Nesses países, a liderança feminina não é vista como exceção, mas como expressão natural de uma democracia madura.
No outro extremo estão países como o Japão, que só em 2025 elegeu sua primeira mulher primeira-ministra. Esse é um marco histórico tardio, considerando a força econômica e o grau de instrução da sociedade japonesa. Ainda assim, o Japão mantém uma das menores taxas de representação feminina entre as democracias desenvolvidas, reflexo de um conservadorismo social enraizado.
Mais abaixo no ranking aparecem vários países árabes, onde as mulheres enfrentam barreiras que vão muito além da política. Em muitos deles, direitos civis básicos, como dirigir, estudar livremente ou se candidatar a cargos públicos, ainda são limitados por tradições patriarcais e interpretações religiosas rígidas.
E no Brasil? Aqui, a presença feminina no congresso ainda não passa de 18%, número inferior à média mundial e distante da realidade social do país, no qual as mulheres constituem a maioria do eleitorado. Embora haja lideranças expressivas — governadoras, prefeitas, deputadas e senadoras —, todas elas enfrentam um ambiente político hostil, marcado por preconceito, sexualização e tentativas constantes de silenciamento.
A pergunta que fica é dura: somos uma sociedade machista e patriarcal? Em larga medida, sim. A estrutura do poder foi historicamente construída por homens e para homens. Mesmo quando se abre espaço para as mulheres, o sistema tende a exigir que elas se adaptem aos padrões masculinos de autoridade.
Mas há exceções, e elas são faróis. São mulheres que desafiam a cultura dominante, ocupam o espaço público sem pedir licença e, ao fazê-lo, reeducam a sociedade. Sempre que uma mulher chega ao poder, ela carrega consigo não só a própria trajetória, mas também a esperança de que, um dia, o gênero deixará de ser pauta para se tornar apenas um detalhe.
Poetando
por Zé da Praça
O mundo é velho e teimoso,
machista por tradição.
Mas a mulher, sábia e corajosa,
ilumina a escuridão.