
A história do Brasil é marcada por fraudes bancárias que, muitas vezes, terminaram em impunidade. Do período imperial às crises recentes, o padrão se repete: os bancos quebram, os investidores ficam no prejuízo e os responsáveis, quase sempre bem conectados, escapam com penas brandas ou prescritas. Casos modernos, como o do Banco Master, reforçam uma velha lógica que, quando o rombo vem do alto escalão, a cobrança costuma ser lenta e repleta de atalhos.
No livro A Chave do Tesouro, o escritor e jornalista especializado em economia José Carlos de Assis mostra que as fraudes bancárias não são novidade. Ele relembra episódios como os do Banco Halles, do escândalo da CAPEMI e dos esquemas envolvendo bancos estaduais nas décadas de 1970 e 1980. O roteiro é parecido: administradores manipulam balanços, desviam recursos e inflavam carteiras de crédito. Quando tudo estourar, a conta vai para o povo, seja por meio da inflação, do socorro estatal ou da perda direta de poupanças.
Hoje há avanços, mas nenhum que permita dizer que o país virou a página. O Banco Central possui uma fiscalização mais técnica, digitalizada e com melhor rastreabilidade das operações. Há cruzamento de dados em tempo real, sistemas de monitoramento automático e um arcabouço regulatório mais rígido, inclusive para prevenir a lavagem de dinheiro. A Polícia Federal dispõe de inteligência financeira, cooperações internacionais e ferramentas de análise que não existiam há 40 anos. Além disso, o Judiciário ganhou mais especialização em varas empresariais e criminais.
No entanto, a pressão política continua pesando, as grandes bancas de advocacia continuam capazes de protelar processos por anos e a fragmentação institucional dificulta a responsabilização rápida. O país está mais equipado e menos vulnerável do que no passado, mas ainda não o suficiente para afirmar que os criminosos de colarinho branco perderam totalmente o conforto histórico da impunidade.