
Diante da discussão sobre o Fundo de Aposentadoria dos Servidores Municipais de Cachoeira do Sul, é oportuno lembrar que a previdência do Brasil enfrenta um desequilíbrio estrutural semelhante. O modelo atual, baseado na solidariedade entre gerações, não é sustentável. A cada dia, menos trabalhadores em atividade mantém um número crescente de aposentados.
E esse cenário tende a piorar, pois o país está envelhecendo rapidamente. A expectativa de vida aumentou, a taxa de natalidade despencou e o mercado de trabalho se tornou mais informal. Como resultado, com menos pessoas contribuindo e mais gente recebendo, o INSS está no vermelho.
O déficit previdenciário consome uma fatia enorme do orçamento público. São recursos que faltam para a saúde, a educação, a segurança e a infraestrutura. Hoje, a previdência nacional já é um dos maiores gastos da União, e mesmo assim não há garantia de sustentabilidade no futuro. O sistema se tornou uma bomba-relógio.
A reforma de 2019 foi um remendo, não uma solução. Ela aumentou a idade mínima e tornou as regras mais rígidas, mas manteve a essência de um modelo que nasceu quando o Brasil era um país jovem, com muitas crianças e poucos idosos. Esse Brasil não existe mais.
Se nada for feito, o governo terá de aumentar impostos, reduzir benefícios ou se endividar ainda mais. Não há mágica. Alguém sempre paga a conta. E, como sempre, quem paga são os cidadão.
O atual modelo de aposentadoria é inviável porque promete mais do que pode cumprir. Ele vende a ilusão de uma velhice segura, mas oferece apenas incerteza. O brasileiro precisa entender a verdade: depender exclusivamente do sistema público de aposentadoria se tornou um risco real.
O futuro da previdência é incerto porque falta coragem política para enfrentar o problema. O que está em jogo não é a ideologia, mas a matemática. Ou o país discute um novo modelo, mais realista e sustentável, ou continuará adiando uma crise que, mais cedo ou mais tarde, irá explodir.
Dessa explosão, os sobreviventes serão aqueles poucos que fizeram um pecúlio paralelo na previdência privada.
– Ronaldo Tonet