#ColunadoTonet – A curiosidade dos estranhos

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Hoje em dia, estamos cercados de informações o tempo todo. As redes sociais nos trazem uma profusão de mensagens, vídeos e notícias. Parece que quanto mais informação temos, mais bem informados ficamos. No entanto, isso não é verdade. O excesso de dados confunde. Recebemos tanto conteúdo que não conseguimos refletir, comparar e verificar sua veracidade.

Além disso, tudo chega de maneira rápida, superficial e, muitas vezes, distorcida. É preciso escolher o que ouvir, o que ler e o que compartilhar. A absorção da informação exige tempo, silêncio e reflexão.

No entanto, nós mesmos somos responsáveis por esse excesso ao utilizarmos as mídias sociais e expormos nossa vida. Fotos, conversas, opiniões e até momentos íntimos são compartilhados sem pensar nas consequências. Isso enfraquece o direito básico à privacidade.

Outro ponto importante é a pressão social. Quem não compartilha sua vida é visto como estranho. No entanto, isso é uma armadilha. Respeitar a própria privacidade é um ato de cuidado consigo mesmo, não de isolamento. Defender o que é privado é defender a própria dignidade, a da família e, principalmente, a das mulheres, que são as mais expostas e julgadas na internet.

Antigamente, a vida pessoal ficava dentro de casa, entre a família e os amigos. Hoje, os dados pessoais se tornaram mercadoria. Informações sobre hábitos, consumo, localização e até mesmo sentimentos são coletadas e utilizadas por empresas e plataformas digitais. Na maioria das vezes, não sabemos por que tantas informações cadastrais são solicitadas. Isso cria uma relação de vulnerabilidade em relação às plataformas e aplicativos.

Por isso, é fundamental resgatar valores que sempre fizeram parte da vida em sociedade, como discrição, respeito e limites. Nem tudo precisa ser divulgado para satisfazer a curiosidade dos estranhos.

– Ronaldo Tonet

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