
Na entrevista desta quinta-feira (6) à Rádio Vale FM, o diretor-presidente do Instituto Internacional Arayara, Juliano Bueno de Araújo, aborda um ponto que o país insiste em ignorar: o custo bilionário para manter o carvão mineral em operação.
De acordo com ele, a prorrogação das usinas termoelétricas a carvão até 2040 custará R$ 55 bilhões em subsídios. Não é troco. É dinheiro arrancado de todo brasileiro pela via da tarifa. Juliano afirma que essa escolha representa de 15% a 17% na conta de luz. Ou seja, o país inteiro banca uma energia cara, suja e em declínio no mundo civilizado.
Além disso, o entrevistado afirma que os governos municipais e estaduais dos três estados do Sul, favorecidos por esse arranjo, não fizeram, nem farão, o que deveriam para preparar suas economias para sobreviver sem o carvão. Eles continuam agarrados ao passado, esperando que Brasília eternize uma atividade que o mundo já descartou.
A verdade é simples: o carvão mineral é uma tecnologia do século passado. Ele tem emissões altas, eficiência baixa e dependência artificial de subsídios. Enquanto o mundo acelera a adoção de energias eólicas, solares e de hidrogênio verde, nós obrigamos o consumidor brasileiro a pagar mais por uma energia poluente.
Juliano lembra que o presidente Lula ainda pode vetar a Emenda 37 da MP 1.304/25, aprovada pelo congresso. Tal veto seria um sinal mínimo de coerência num momento em que o Brasil vai sediar a COP 30 no Pará, vendendo-se ao mundo como líder climático, defensor da Amazônia e da transição energética.
A COP 30 não é uma festa nem uma vitrine turística. É o espaço em que os países deverão demonstrar suas ações para reduzir as emissões antes de 2030, prazo final para conter a escalada do aquecimento global.
O Brasil precisa decidir se quer ser exemplo ou exceção. Manter o uso do carvão é optar pelo atraso com dinheiro público. Romper com esse ciclo significa tratar a transição energética com seriedade, proteger o bolso do consumidor e alinhar o país ao que se espera de um anfitrião da COP 30. O resto é autoengano.
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Poetando
por Zé da Praça
Carvão
Num país que insiste em carvão,
a conta pesa prá valer.
É o passado puxando a mão
de um futuro que tenta nascer.