
Uma infestação de cobras da espécie urutu-cruzeiro, popularmente conhecidas na Região Sul do país como “cruzeiras”, tomou conta do Bairro Bom Retiro e do Loteamento Germano, na zona leste de Cachoeira do Sul. É o que relatam moradores da região. O bombeiro militar da reserva Luciano Castro registrou a presença de um exemplar desses répteis na comunidade, que está em polvorosa em razão da multiplicação dos animais nesse período de calor.
De acordo com Castro, um morador foi picado nesta terça-feira (30) e chegou a buscar atendimento no Hospital de Caridade e Beneficência para tomar o soro antiofídico. Após receber o antídoto, teria recebido alta e encontra-se em casa, em repouso.
O local de maior concentração das cobras, segundo os moradores, é um campo aberto situado no Loteamento Germanos. “Esse campo está cheio de cobras. Hoje (quarta-feira, 31) fui levar o meu cavalo nesse campo e encontrei essa da foto. Junto dela, tinha outra, um pouco menor. Está infestado”, relatou Castro.
Teve também um caso em que uma cruzeira foi encontrada dentro de casa e que, apesar do susto, ninguém se feriu. Num outro imóvel, uma cobra se aproximava de um morador do pátio quando um gato notou a presença e avançou nela, evitando um acidente.
O poder da peçonha da cruzeira (urutu-cruzeiro)
Amplamente distribuída no Brasil, a urutu-cruzeiro (Bothrops alternatus) é uma serpente conhecida pela fama de perigosa. Das regiões Sul e Sudeste ao Centro-Oeste, corre o ditado: “a urutu, quando não mata, aleija”.
A preocupação não é à toa: as ocorrências com serpentes do gênero Bothrops representam 90% dos acidentes ofídicos notificados no Brasil. “A picada dela causa necrose, hemorragia, problema renal e tudo o que as jararacas fazem”, afirma o biólogo Henrique Abrahão Charles, nacionalmente conhecido por seus vídeos nas plataformas digitais pelos quais discorre bastante sobre o universo das cobras e serpentes.