Cannabis no agro ganha espaço na Expoagro Afubra 2026

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Painel reúne especialistas para discutir potencial produtivo, científico e regulatório da cultura, destacando novas oportunidades e caminhos para a diversificação no campo

A Expoagro Afubra 2026 terá em sua programação um debate sobre inovação e novas possibilidades produtivas no campo. No dia 24 de março, das 14 às 16 horas, a Arena do Espaço do Conhecimento e Inovação no Agro recebe o painel “Resiliência que gera futuro: a vitrine de possibilidades da Cannabis para o agro e a inovação”. A proposta é discutir diferentes perspectivas sobre o uso da cannabis nos contextos agrícola, científico e jurídico, destacando o potencial da cultura como alternativa produtiva e vetor de desenvolvimento tecnológico.

O painel reunirá especialistas de diversas áreas: a farmacêutica Alessandra Bastos Soares, diretora da Anvisa entre 2017 e 2020; a advogada Michelle Brescia, presidente da Associação EcoCannabis; a advogada Michele Martin, da equipe jurídica da entidade; o pesquisador Thomas Müller Schmidt, fundador da Canaben P&D em Biotecnologia; o empresário Jeferson Reis, sócio-diretor da Vitaid Farmacêutica; e a gestora de inovação Mireila Behling, representante do Inova RS Região dos Vales. A atividade integra a programação do Espaço do Conhecimento e Inovação do Agro e conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), Inova RS Região dos Vales e Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Conforme Mireila Behling, levar o tema da cannabis para a Expoagro Afubra é reconhecer que o agro do futuro se constrói com abertura ao novo. “Estamos falando de uma cultura com potencial econômico, científico e social, que já é realidade em diversos países e começa a ganhar espaço no Brasil”, afirma. Segundo ela, a Expoagro Afubra, referência em conhecimento e tecnologia no campo, é o ambiente ideal para ampliar esse debate com responsabilidade, aproximando produtores, pesquisadores, empresas e poder público. Mireila destaca que, mais do que tratar da cannabis, a discussão envolve diversificação, inovação e geração de valor, além da construção de oportunidades concretas para o desenvolvimento regional.

Na avaliação da gestora, o tema é estratégico para o futuro do agro porque amplia as possibilidades produtivas com usos industriais e medicinais, ao mesmo tempo em que representa uma mudança de mentalidade no campo, voltada à adaptação, experimentação e abertura a novos mercados. “Discutir esse tema hoje é se preparar para um cenário que já está em movimento no mundo e garantir que o nosso agro esteja pronto para participar dele de forma competitiva e responsável”, ressalta.

Mireila observa ainda que o painel pretende ir além da apresentação de tendências. A proposta, segundo ela, é provocar reflexões sobre o papel da inovação no campo e sobre a necessidade de construir novos caminhos para o agro com responsabilidade e visão de longo prazo. “É uma conversa sobre adaptação, coragem e construção de novos caminhos para o agro”, resume.

Ao falar das oportunidades ligadas à cannabis, ela chama atenção para a versatilidade da cultura. Para o produtor rural, isso pode significar diversificação da produção, novas fontes de renda e mais resiliência diante das oscilações do mercado e do clima. Entre os segmentos em destaque está o uso medicinal, impulsionado pela demanda crescente por produtos à base da planta, fortalecendo a cadeia do cultivo à indústria farmacêutica.

No campo industrial, o cânhamo também desponta com aplicações em fibras, bioplásticos, construção civil e setor têxtil, apresentando alternativas mais sustentáveis. Nesse processo, a inovação aparece como elemento central, já que a cultura exige conhecimento técnico, pesquisa e desenvolvimento, desde o melhoramento genético até os sistemas de cultivo e processamento. Nesse contexto, Mireila destaca o papel de iniciativas como o Inova RS na articulação entre governo, academia, setor produtivo e sociedade. Para ela, mesmo sendo um tema que ainda gera controvérsias, a cannabis revela grande potencial sob a ótica da inovação, ao impulsionar novos produtos, tecnologias, processos e modelos de negócio.

Sobre o cenário brasileiro, a gestora avalia que o país tem potencial para explorar esse mercado em razão da vocação agrícola, diversidade climática e capacidade técnica no campo. Ao mesmo tempo, observa que o Brasil ainda vive um processo de construção, especialmente no que se refere à regulação, segurança jurídica e amadurecimento do mercado.
Para avançar, defende a ampliação do debate, o incentivo à pesquisa e a estruturação de políticas públicas. “Se fizermos isso de forma responsável, o país pode não apenas participar desse mercado, mas se tornar protagonista”, projeta.

Tabu x possibilidades
O debate sobre a cannabis ainda enfrenta tabus, o que reforça a importância de espaços qualificados de diálogo. Confirme Mireila, a proposta do painel é conduzir o tema com base em três pilares: informação, responsabilidade e respeito, buscando combater a desinformação por meio de dados, pesquisas e experiências reais, além de considerar os aspectos regulatórios, sociais e culturais envolvidos. A iniciativa também valoriza a pluralidade de opiniões, com o objetivo de ampliar o entendimento e promover decisões mais conscientes.

O painel reúne diferentes perspectivas sobre o uso da cannabis no agro, tema considerado inovador e em expansão. A presença de profissionais com experiências complementares contribui para um debate mais amplo, abordando desde a pesquisa até o mercado e a legislação, além de apresentar novas possibilidades econômicas e científicas para o setor.

Para o público que ainda tem dúvidas, a orientação é buscar informação de qualidade e se abrir ao diálogo. A cannabis é um tema complexo e em construção, que exige reflexão e troca de conhecimento. “A cannabis é um tema complexo, que envolve ciência, saúde, economia e regulação. E, como todo assunto novo, gera questionamentos — o que é natural e até mesmo necessário. O mais importante é que esse debate aconteça com base em informação de qualidade, responsabilidade e abertura para o diálogo”.

Crédito:Reprodução
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