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A música Cálice, de Chico Buarque e Milton Nascimento, escrita em 1973, mas devido à censura somente lançada cinco anos depois, se tornou hino de resistência pela liberdade de expressão ao ressaltar no bordão o trocadilho entre “cálice” (copo de vinho) e “cale-se” (verbo).
A letra escrita trazia: “Pai, afasta de mim esse cálice”, enquanto a letra cantada era “Pai, afasta de mim e se cale-se”.
Completava o final do estribilho: “De vinho tinto de sangue”, uma metáfora para as torturas dos porões da ditadura.
A música voltou a ser cantada quase meio século depois, pelos mesmos atores sociais, só que desta vez sem a metáfora do trocadilho.
Todos que lutam para anistiar os presos pelos atos de 8 de janeiro devem literalmente ficar calados, pois as condenações são para servir de exemplo para aqueles que não aceitam passivamente as imposições da esquerda no poder.
Desde a redemocratização, a esquerda trabalha para impor “barreiras despercebidas” no processo de formação da opinião pública brasileira, para usar o conceito do sociólogo alemão Jürgen Habermas.
Essas “barreiras despercebidas” são impostas silenciosamente através de diversos canais da sociedade organizada.
São os artistas, músicos e produtores culturais que tentam impor a agenda libertina através de suas obras, canções e filmes, sufocando enfurecidamente as vozes que lhes são contrárias.
Animam comícios políticos com shows musicais e discursos contra a anistia.
São os jornalistas, repórteres, narradores e apresentadores de comunicação que distorcem os fatos reais para que se encaixe na realidade que querem impor aos demais.
Tomam para si a verdade através do consórcio de veículos de imprensa que classifica o que é fato ou Fake News.
São os advogados, promotores, juízes e demais operadores que adaptam a legislação a sua ideologia, configurando o ativismo judiciário contra os chamados legalistas, que se atém à letra da lei.
Perseguem os opositores acusando-os sem provas e julgando com base em fragilidades.
Aqueles que ousam levantar voz dissonante sentem o peso da mão forte e devem servir de exemplo aos demais.
Gritar contra anistia é se aliar com aqueles que querem dominar através do silenciamento de quem não aceita calado a imposição.
Ocorre que as tensões estão aumentando e o cidadão comum, trabalhador e de família, está repelindo com cada vez mais força essas imposições das “barreiras despercebidas”.
Os que se opõe abertamente à imposição ideológica da esquerda são chamados de fascistas, quando lutam justamente pelo contrário.
Os nazistas alemães e os fascistas italianos impuseram todo poder ao Estado através do líder (Führer e Duce), controle econômico estatal, abolição das liberdades e perseguição aos opositores.
O comunismo russo só venceu porque foi traído por Hitler – com quem tinha feito o pacto para dividir a Polônia – depois recebeu armas, equipamentos e suprimentos dos aliados.
Estados Unidos e Inglaterra venceram porque sempre lutaram por maior liberdade individual e econômica e menos Estado nas suas vidas.
O recado portanto é claro: cale-se!