Botando a cara, Zé

Por 12 de julho de 2021

Botar a cara para bater. A expressão popular é bem conhecida e utilizada. Não tanto no campo político. Conhecido sim. Usado, pouco. Quando a pauta é polêmica, gestores optam por saírem de cena e colocarem seus vices ou secretários municipais. Não faz muito tempo, Cachoeira do Sul testemunhou situações assim. Um exemplo foi a situação dos vendedores ambulantes que não ambulavam e tomavam conta da 7 de Setembro. A opção adotada? Fingir que não existiam. Afinal, alguma ação iria suscitar reações. Outro exemplo, o debate sobre o rotativo pago na ruas da cidade. A escolha do prefeito na época foi colocar seu vice no meio do fogo.

A imagem de um político que ocupa cargo de gestão municipal é um bem precioso que causa calafrios se colocada em risco ao mínimo arranhão provocado por pautas polêmicas. Mas é isso que a população espera dele? É isso que precisa dele? É isso que seria justo ao voto? Obviamente que as respostas são a mesma: não.

Cachoeira do Sul atravessa uma batalha contra a Covid. Frequentemente, o Município estampava os noticiários estaduais em função do incidência e ocupação hospitalar. A situação motivou uma reunião entre Governo do RS e a Prefeitura. O que seria mais cômodo ao prefeito? Deixar o secretário municipal da Saúde sozinho. Que fosse a imagem do titular da pasta colocada em risco de arranhões. O que o prefeito fez? Colocou sua cara para bater. Escolheu ficar na frente do grupo. Na frente da câmeras. Dos microfones. Respaldou seu secretário e a equipe.

Em relação ao estacionamento rotativo, foi o prefeito conversar com os vereadores. Independentemente se o tema motiva críticas ou elogios. Não colocou sua vice. Não foi no seu lugar qualquer secretário. Foi ele. Colocou a cara para bater.

Mais recentemente, a questão dos moradores de rua. O que seria mais fácil? Identificar a situação e agir ou fingir que não sabe e atirar para administrações futuras uma solução? Optou em agir. Certamente, as mais diversas opiniões orbitarão o debate em torno do pauta. Ainda assim, o prefeito opta por não esconder seu nome junto ao tema. Ao contrário. Abraça mais uma discussão de relevância para a comunidade.

Em uma luta de boxe, por exemplo, o lutador que entra no ringue sem querer arranhões acaba normalmente na lona. Não é o caso.