BM presta homenagem para policial cachoeirense Marciele Alves

Por 26 de novembro de 2021

Crédito: OC/Arte/BM

A Brigada Militar de Santa Cruz do Sul prestou uma homenagem para a soldado cachoeirense Marciele Alves. O ato ocorreu na tarde de quinta-feira, contando com sirenaço e missa na Catedral São João Batista pela passagem de dois anos da morte da policial.

Marciele foi morta atropelada por criminosos na tarde de 25 de novembro de 2019 no município de Sério. A policial atuava em confronto com bandidos que roubaram três caminhonetes em Venâncio Aires. Três criminosos também morreram.

A ação ocorreu na ERS-421. A policial militar do Pelotão de Operações Especiais (POE) ficou gravemente ferida após ser atropelada e morreu a caminho do hospital.

De acordo com a Brigada Militar, o caso começou quando uma camionete Hilux SW4 e um Celta preto furaram a barreira e tentaram fugir do cerco montado na região. O condutor e o caroneiro da camionete morreram durante tiroteio. Antes, o motorista avançou o carro para cima da policial cachoeirense.

No Celta, um criminoso morreu e um menor foi apreendido.

Guerreira. Corajosa. Incansável

Atributos de uma mulher policial militar que jamais desistiu de seus ideais e que sempre exerceu com louvor as missões que lhe foram incumbidas. Assim foi a soldado Marciele Renata dos Santos Alves. E desse jeito que é lembrada por familiares, amigos e colegas desde que partiu precocemente no dia 25 de novembro de 2019, após ser atropelada por carro de uma quadrilha em fuga, durante uma operação em que estava atuando.

Natural de Cachoeira do Sul, Marciele ingressou na Brigada Militar em 2012, quando tinha apenas 21 anos. Mas, antes mesmo de tornar-se membra da Corporação, sempre admirou a profissão e alimentou o desejo de fazer parte – assim como seu padrasto, Sargento aposentado. Era como se soubesse que ser brigadiana fosse o destino de sua vida, o seu sonho mais real e intenso. E foi.

Primeiro, passou por todo o período de instruções e treinamentos no curso de formação de soldados da Brigada Militar. Após, quando o concluiu, foi lotada na cidade de Taquari, para atuar no policiamento ostensivo. Lá, permaneceu até o ano de 2015, quando se transferiu para Santa Cruz do Sul. No novo município, optou por deixar as ruas e trabalhar na sala de operações, local responsável por supervisionar câmeras de videomonitoramento.

A escolha pela troca de função ocorreu por um objetivo que, paralelamente com as atividades que desempenhava na Brigada Militar, buscava alcançar: se formar na faculdade de fisioterapia. Com flexibilidade nos horários de escala, a jovem conseguiu se dedicar mais aos estudos e conquistou o desejado diploma de graduação.

Já formada, decidiu, então, voltar às ruas. Para isso, resolveu entrar para o curso do Pelotão de Operações Especiais (POE) de Santa Cruz do Sul – hoje denominado de Força Tática -, grupamento que atua como pronta resposta em ocasiões específicas. Não só fez, como foi aprovada. O bom desempenho ao longo da formação permitiu Marciele alcançar mais essa aspiração e, a partir daquele momento, ser uma das poucas mulheres a altura de vestir a tão almejada farda camuflada.

Mas, a realização do novo sonho durou pouco. No mesmo ano em que passou a integrar o POE, ocorreu a operação que culminou em sua morte, na tarde do dia 25 de novembro, no município de Sério, no Vale do Taquari.

Como parte do cerco armado pela Brigada Militar para prender criminosos que haviam roubado três picapes (caminhonetes), e que contou com perseguição, uma barreira foi montada para abordar o grupo. Neste momento, houve trocas de tiros (que deixaram dois bandidos mortos) e mais uma tentativa de fuga. Foi, então, que os criminosos usaram o veículo roubado para colidir em uma viatura atingindo Marciele.

A policial militar ainda foi levada para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Encerrava, ali, a nobre e prematura missão da Soldado Marciele. Mas não somente isso. Os planos e metas de uma jovem de apenas 28 anos, que dedicou boa parte de sua vida a causas sociais e que acreditava na transformação do mundo em um local melhor, também chegava ao fim.

Dois anos depois, mesmo não vestindo mais a farda que tanto a encantou, saindo às ruas para patrulhar ou sendo a alegria contagiante dos lugares, o legado de Marciele é mantido vivo no coração e memória de quem pôde conviver com ela.