Balsa, ponte e navegação estão na história de Cachoeira do Sul

Por 28 de novembro de 2021

A balsa é solução encontrada para a travessia no Rio Jacuí. Fotos: Divulgação

 

Cachoeira do Sul volta ao passado com balsa e navegação que nos levam às décadas de 50 e 60, quando a cidade era abastecida por embarcações, que traziam à cidade produtos alimentícios pela hidrovia do Rio Jacuí. Era bonito de se ver as chamadas “gasolinas” viajando de Porto Alegre e atracando no final da Rua Moron. Às vezes havia uma parada na localidade de Bexiga para deixar produtos para o abastecimento da região de Candelária.

As “gasolinas” geralmente movidas a querosene ou a óleo diesel no seu retorno para Porto Alegre ou Rio Grande, saiam de Cachoeira carregadas de arroz. Algumas tinham capacidade para até 900 sacas. Este contexto faz parte da história da cidade, porque com a com a inauguração da Ponte do Fandango em 1960 e com advento do transporte rodoviário, os barcos praticamente sumiram do Rio Jacuí mesmo que a navegação seja uma atividade de menor custo no comparativo com os outros modais.

Agora, 61 anos depois, nos deparamos com a travessia por meio do serviço de balsa no Rio Jacuí motivado pela falta de manutenção na Ponte do Fandango por onde só está liberada a passagem de veículos leves. Grandes cargas desde sexta-feira passada (26) só passam pelo Jacuí carregadas pela a salvadora Deusa do Jacuí, uma balsa que veio de Taquari para ser a solução para o trânsito de veículos pesados.

Aliás, o serviço de balsa existiu por um bom tempo em Cachoeira do Sul no Rio Jacuí na região do Passo do Seringa e era responsável pela passagem de gado que era levado um frigorífico em Rio Pardo. “Esta era a nossa passagem”, lembra o ex-tropeiro e hoje presidente da Celetro, José Benemídio Almeida.

ATÉ QUANDO A DEUSA DO JACUÍ FICARÁ EM CACHOEIRA?

Neste momento ninguém sabe até quando a balsa Deusa do Jacuí ficará em Cachoeira do Sul. É que estamos diante de um prometido projeto pelo governo federal para uma nova estrutura onde aconteceu rachadura no acesso ao vão central da Ponte do Fandango. Uma obra que vai estender e que poderá em algum momento até interromper o trânsito de veículos na ponte.

O Rio Jacuí é navegável. A nossa hidrovia na verdade nunca teve o devido apoio governamental. O livro Navegando pelo Rio Grande, de 2008, escrito pelo jornalista Geraldo Hasse, conta em detalhes a história da navegação no RS e, é claro, o Rio Jacuí tem um capítulo especial.

Hasse conta que o último grande transportador hidroviário de Cachoeira do Sul foi Dorival Gomes, proprietário de uma frota liderada pela Sucuri, “gasolina” capaz de descer o rio com 450 sacas de arroz e subi-lo com tonelada de mercadorias para abastecer o comércio local. De acordo com o jornalista, Dorival deixou registrado que em 1937 havia na cidade mais de 40 empresas de navegação, a maioria delas especializada no atendimento a pequenas comunidades coloniais ao longo do Jacuí e de alguns de seus afluentes.

UMA LUTA PELA NAVEGAÇÃO

A navegação no Rio Jacuí nos leva ao projeto do porto, que em 1991 ganhou força com a construção de uma plataforma no Jacuí junto ao prédio da antiga Charqueada. Na época, Cachoeira solicitava ao governo estadual um cais porque defendia a implantação no município de um entroncamento rodoferrohidroviário. Até uma rede férrea de 2,5 Km da rede central foi construída até as margens do Jacuí, mas depois de 30 anos nada mudou. Os trilhos para o porto estão embaixo da terra.

Restrita a veículos leves, Ponte do Fandango está hoje liberada em apenas uma pista e tem trânsito controlado por semáforo provisório / Foto: Milos Silveira

O QUE CACHOEIRA TEM QUE FAZER

Cachoeira tem que ficar atenta. O governo prometeu nova ponte no Fandango, temos uma balsa fazendo a travessia do Jacuí e uma obra provisória em realização pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) no vão onde há uma rachadura.

Na prática, significa que não temos ideia do que vai acontecer em 2022. Ou seja, depois de 61 anos, Cachoeira do Sul enfrenta transtornos de saída e chegada à cidade e ainda bem que temos uma riqueza natural: o Rio Jacuí.

O prefeito José Otávio Germano já está na história depois de conseguir do presidente Jair Bolsonaro, que Cachoeira do Sul terá uma nova ponte sobre o Rio Jacuí aproveitando a atual estrutura. Balsa, hidrovia, transporte fluvial graças ao Rio Jacuí é nossa solução, mas necessitamos de uma ponte sobre a barragem do Fandango moderna, iluminada, sinalizada para continuar ser um dos cartões postais da cidade.