
A Prefeitura de Cachoeira do Sul formalizou, no fim da tarde desta sexta-feira (24), a contratação emergencial da empresa Expresso Presidente Getúlio para assumir a operação do transporte coletivo urbano no município. Com a assinatura do contrato pelo prefeito Leandro Balardin, inicia-se agora a fase de preparação da empresa para o início das atividades.
Pelo cronograma estabelecido, a concessionária terá prazo máximo de 45 dias para colocar o serviço em funcionamento. O contrato terá vigência de 12 meses, podendo ser encerrado antes desse período caso a Prefeitura conclua o processo licitatório destinado à concessão definitiva do sistema.
Quando iniciar a operação, a empresa deverá disponibilizar 18 ônibus, dos quais 16 serão empregados diariamente nas linhas e dois permanecerão como veículos reserva para garantir a continuidade do atendimento em casos de manutenção ou eventuais substituições.
Na etapa inicial, o sistema atenderá oito linhas: Quinta, Noêmia, Promorar, Cohab/Prado, Soares/Ponche Verde, Charqueada, Fátima/Ponche Verde e Cargill. Os trajetos e demais especificações operacionais constam no Termo de Referência do Processo Eletrônico nº 5206/2026.
Antes do início da operação, representantes da Expresso Presidente Getúlio Vargas estarão em Cachoeira do Sul para tratar da estruturação do serviço. Entre as providências previstas estão a contratação da equipe de trabalho, a regularização dos seguros dos veículos e os ajustes operacionais necessários para o cumprimento do contrato.
Durante o ato de assinatura, o prefeito Leandro Balardin afirmou que a formalização do contrato representa um marco para o transporte coletivo do município e agradeceu o trabalho das equipes envolvidas na condução do processo administrativo que resultou na contratação emergencial da empresa.
Sindicato busca esclarecimentos sobre contratação da nova empresa do transporte coletivo
A assinatura do contrato que transfere a operação do transporte coletivo urbano de Cachoeira do Sul para a empresa Expresso Presidente Getúlio, de Santa Catarina, mobilizou o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do município. A entidade afirma acompanhar com preocupação a mudança da concessionária e busca esclarecimentos sobre o processo de contratação, além de garantias em relação aos direitos dos trabalhadores da Transporte Nossa Senhora das Graças (TNSG), que deixará o serviço.
Segundo o advogado do sindicato, Flávio Gomes de Lima, a primeira medida adotada pela entidade foi solicitar uma reunião com o Ministério Público. O objetivo é apresentar as preocupações da categoria e obter informações sobre os questionamentos que vêm sendo levantados em torno da contratação emergencial realizada pela Prefeitura.
“Estamos aguardando que o Ministério Público disponibilize uma agenda para que possamos tratar dessa situação e entender melhor todo esse processo”, afirmou.
Paralelamente, o sindicato, presidido por Luiz Anibal Machado, prepara uma reunião com os funcionários da TNSG para discutir o cenário que será enfrentado após a substituição da empresa responsável pelo transporte coletivo.
Entre as principais preocupações da categoria está a forma como ocorrerão as demissões dos atuais empregados e quais medidas serão adotadas pela nova operadora em relação à absorção da mão de obra.
De acordo com Flávio Gomes de Lima, o sindicato também pretende se reunir com representantes da Expresso Presidente Getúlio nos próximos dias. A entidade aguarda apenas a definição de uma agenda para iniciar o diálogo.
Nos últimos dias, a contratação emergencial da empresa catarinense passou a ser alvo de questionamentos públicos sobre a viabilidade econômica do modelo adotado pelo Município. Entre os pontos levantados estão o valor previsto para a operação, considerado por representantes do setor abaixo do custo necessário para a prestação do serviço, e aspectos relacionados ao procedimento de dispensa de licitação utilizado pela administração municipal.
Embora acompanhe essas discussões, o sindicato afirma que seu foco principal, neste momento, é garantir segurança jurídica aos trabalhadores e buscar transparência quanto à transição entre as empresas.
Empresário questiona viabilidade financeira do modelo emergencial
O modelo de contratação emergencial do transporte coletivo adotado pela Prefeitura de Cachoeira do Sul também recebeu críticas do diretor da Buscoop, cooperativa catarinense especializada em transporte de passageiros, Nilton Pacheco. Em entrevista recente à imprensa, o empresário afirmou que os valores previstos pelo Município não seriam suficientes para garantir a operação do serviço.
Segundo Pacheco, a cooperativa chegou a ser procurada pelo secretário municipal de Mobilidade e Transportes, Orion Ponsi, cerca de 45 dias antes da conclusão da contratação. Conforme relatou, representantes da empresa se reuniram com integrantes da Prefeitura para conhecer a proposta inicialmente apresentada pelo Executivo.
De acordo com o dirigente, naquele momento o custo discutido girava em torno de R$ 12,40 por quilômetro rodado. No entanto, o processo de dispensa de licitação foi publicado posteriormente com teto de R$ 9,67 por quilômetro, valor que, na avaliação da Buscoop, inviabilizaria economicamente a prestação do serviço.
Ainda conforme Pacheco, a cooperativa optou por não apresentar proposta por considerar o preço inexequível. O empresário também afirmou ter estranhado a condução do processo, alegando que teria recebido a sugestão de protocolar uma oferta acima do teto, com a possibilidade de revisão contratual após o início da operação.
Outro ponto levantado pelo diretor foi a decisão da Prefeitura de buscar uma empresa de fora do município para assumir temporariamente o transporte coletivo sem, segundo ele, discutir previamente a possibilidade de um subsídio à atual concessionária. O governo municipal, por sua vez, sustenta que a substituição ocorreu em razão d0e supostas falhas operacionais por parte da TNSG. A empresa cachoeirense, por sua vez, afirma que tarifa praticada atualmente não cobre os custos que garantam a plena prestação do serviço.
Segundo Pacheco, a Buscoop já foi consultada em outras ocasiões por administrações municipais de Cachoeira do Sul e, sob sua ótica, o formato financeiro definido para a contratação emergencial não se mostra sustentável a longo prazo.
Conselho de Mobilidade diz não ter sido consultado
Em entrevista recente ao Programa Conexão 99, da Rádio Vale FM 99.1, o presidente do Conselho Municipal de Transporte e Mobilidade de Cachoeira do Sul, Pedro Lopes, manifestou indignação com o fato de o colegiado não ter sido consultado pelo secretário Orion Ponsi no processo de contratação emergencial da empresa Expresso Presidente Getúlio. “Teria que ter sido debatido. O que eu vejo é que houve um adiantamento. Minha indignação é com quem dirigiu o processo (referindo-se ao secretário Orion Ponsi)”, explicou.
A irresignação de Lopes tem como pano de fundo uma reunião realizada recentemente, a portas fechadas, entre representantes da Prefeitura, liderados pelo secretário Orion Ponsi, e da empresa catarinense cotada para assumir o transporte coletivo urbano de Cachoeira do Sul. Apesar de convocados pelo presidente do Conselho Municipal de Transporte e Mobilidade, os 22 conselheiros foram impedidos de participar do encontro. “Convoquei todos para que pudessem ter voz, como representantes da sociedade”, lamentou.