
O bloqueio total da Ponte do Fandango, principal ligação entre as duas margens do Rio Jacuí em Cachoeira do Sul, mudou a rotina de quem precisa circular entre a cidade e o interior. Com a estrutura passando por uma reforma completa — que inclui a elevação da ponte em três metros —, todo o fluxo de veículos foi direcionado para uma única balsa, entre a Rua Moron e a Praia Nova. O resultado tem sido filas extensas e tempo de espera que, em alguns casos, ultrapassa duas horas.
Há relatos ainda mais preocupantes. O produtor rural Newton Leal Belem, morador da região da Chapada, na divisa entre Cachoeira do Sul e Encruzilhada do Sul, contabilizou cinco horas e meia apenas para deslocamento e travessia em um único dia. “Hoje o dia foi de enfrentamento da balsa. Em 10 horas, cinco horas e meia foram para deslocamento e travessia na barcaça. O momento nos pede muita readequação”, afirmou.
A situação tem impactado trabalhadores, produtores rurais, transportadores e moradores que dependem da travessia para atividades cotidianas. Diante do cenário de extremo desconforto e imprevisibilidade, especialistas e lideranças locais reforçam a necessidade de reorganização das rotas, priorizando caminhos alternativos sempre que possível.
Rotas alternativas reduzem desgaste da espera na balsa
Para quem precisa se deslocar em direção à metade leste do Estado — como Região Carbonífera, Porto Alegre, Região Metropolitana e litoral —, a ERS-403 desponta como a alternativa mais viável. A rodovia liga Cachoeira do Sul a Rio Pardo em um trajeto de cerca de 60 quilômetros. A partir dali, é possível acessar a BR-471 até Pantano Grande e, então, a BR-290. A ERS-403 possui apenas seis quilômetros sem pavimentação, mas o trecho está em boas condições de tráfego, permitindo deslocamento contínuo e previsível, sem a necessidade de enfrentar filas ou aguardar horários de embarque.
Já para quem segue rumo à metade oeste do Rio Grande do Sul, a balsa do São Lourenço é apontada como a melhor opção. O trajeto possibilita acesso à BR-153 e também à BR-290 por rotas que passam por localidades como Balneário Irapuá, Seringa, Estrada do Geribá e Barro Vermelho. Embora envolva maior planejamento, a alternativa tem apresentado fluxo mais estável. A RSC-287 também tem caminho livre e fluxo contínuo para quem precisar se deslocar à Fronteira Oeste e pegar a BR-290 na rota de Santa Maria e São Sepé.
Uso da balsa deve ser exceção
Com apenas uma embarcação operando na travessia principal, a capacidade é limitada e insuficiente para absorver o volume habitual de veículos. O uso indiscriminado tende a ampliar ainda mais os congestionamentos, afetando inclusive situações de urgência.
Diante disso, a orientação é clara: utilizar a balsa somente em casos inevitáveis ou de extrema necessidade. Para compromissos que permitam planejamento, as rotas alternativas representam economia de tempo, redução de desgaste e maior previsibilidade no deslocamento.
Enquanto a Ponte do Fandango passa pela mais profunda intervenção de sua história, a adaptação temporária se torna fundamental. A reorganização dos trajetos pode evitar horas perdidas nas filas e contribuir para um fluxo mais equilibrado até a conclusão das obras.