As pesquisas e as ruas

Por 3 de outubro de 2021

Sou contra as pesquisas eleitorais. Mais servem para atrapalhar do que figuram instrumento democrático. O argumento que a sociedade tem direito de saber a informação dos resultados das apurações é fraco. É raso. Mais parece acobertar a sanha em interferir no processo eleitoral do que efetivamente contribuir com ele. Do que vale uma pesquisa do ponto de vista do eleitor? Saber se seu candidato está na frente? Incentivar mudanças de voto para evitar que quem está liderando possa ganhar o pleito? Qual a serventia da pesquisa sob o ponto de vista da sociedade? Atrapalhar. Na prática, mais atrapalha. Mais induz. E se induz, atrapalha.

Os próprios responsáveis pelos institutos de pesquisa confessam que é inviável a fotografia do instante derradeiro de decisão do eleitor. Ou seja, aquele momento do “confirma” na urna. Quando a motivação não vai mudar e terá reflexo direto nas teclas apertadas. Essa distância entre a intenção e o voto efetivo tem consequência: os resultados diferentes do que as projeções das pesquisas.

Você já foi entrevistado sobre seu voto? Eu nunca fui. E olha que já tenho alguns encontros com a obrigação do voto. Mas nunca. Não duvido da ciência que orienta uma pesquisa por institutos sérios que gozam de credibilidade. Mas a dúvida é inevitável quando manifestações nas ruas diferem do que apontam as apurações. Um exemplo recente foi visto nas mobilizações contra e a favor do presidente Jair Bolsonaro. Um termômetro na polarização dele com o ex-presidente Lula. Em níveis nacional, estadual e municipal. Foi uma lavada para as manifestações favoráveis. Qual pesquisa vale mais, então? Aquelas dos institutos? Aquelas das ruas? Ou nenhuma delas, mas sim aquela das urnas?