
Diante do agravamento da crise na cadeia do arroz, representantes de produtores e da indústria recorreram à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em busca de instrumentos que ajudem a atravessar um período marcado por excesso de estoques, endividamento e dificuldade de comercialização. A articulação ocorreu nesta segunda-feira (9), em Porto Alegre, durante reunião na superintendência regional da estatal.
O encontro reuniu lideranças do setor arrozeiro gaúcho e dirigentes da Conab para discutir alternativas de intervenção capazes de reduzir a pressão sobre os preços e destravar o fluxo de vendas no mercado. A preocupação central é com a falta de liquidez, especialmente no início de uma nova safra, quando os custos se acumulam e a necessidade de caixa se torna imediata para os produtores.
Segundo o presidente da Conab, Edegar Pretto, o governo federal avalia diferentes mecanismos já previstos na política agrícola para conter desequilíbrios no mercado. Entre eles, estão operações como a Aquisição do Governo Federal (AGF) e o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), além de outras medidas que possam ser construídas em conjunto com a cadeia produtiva. “A orientação é manter o diálogo aberto e colocar à disposição todos os instrumentos que a Conab tem para ajudar a equilibrar os preços”, afirmou.
A agenda também serviu para revisar ações adotadas recentemente e alinhar expectativas para os próximos meses. Pretto adiantou que novas conversas devem envolver os ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura, com o objetivo de avançar em propostas mais amplas de apoio ao setor.
Do lado dos produtores, a avaliação é de que o cenário segue crítico. O presidente da Federarroz, Denis Dias, destacou que o volume elevado de estoque de passagem continua travando o mercado e ampliando o endividamento no campo. Para ele, medidas que acelerem o escoamento da produção são decisivas para evitar um agravamento da crise. “Sem liquidez, o produtor não consegue honrar compromissos básicos nem garantir a própria sobrevivência neste momento da safra”, alertou.
A indústria também acompanha o cenário com cautela. O presidente do Sindarroz, Eduardo Nunes, reconheceu uma leve reação recente nos preços, mas avaliou que a simples interrupção da queda já seria um alívio. “Depois de um 2025 muito difícil, o mais importante agora é impedir que o mercado afunde novamente. A retirada do excesso de produto pode ajudar a estabilizar o setor”, afirmou.
A expectativa do setor é de que as discussões avancem nas próximas semanas e resultem em ações concretas capazes de reduzir a pressão sobre o arroz, especialmente no Rio Grande do Sul, principal polo produtor do país.