
O mercado interno do arroz atravessa um período de forte instabilidade, com os preços praticados entre R$ 51 e R$ 58 por saca de 50 quilos nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul. O nível atual é considerado crítico por representantes do setor, que alertam para o impacto direto sobre a rentabilidade das lavouras e para o risco de desequilíbrio financeiro na próxima safra, de 2025/26.
Além da retração nos preços, o consumo doméstico também mostra sinais de enfraquecimento. A mudança nos hábitos alimentares do brasileiro tem reduzido a presença do arroz nas refeições, o que pressiona o escoamento da produção e exige do setor uma nova abordagem de mercado. Especialistas apontam que reposicionar o produto como um alimento versátil, saudável e moderno é essencial para recuperar espaço junto ao consumidor.
No campo externo, o câmbio tem desempenhado papel decisivo. A cotação do dólar abaixo de R$ 5,40 tem limitado o fechamento de novos contratos de exportação e, ao mesmo tempo, ampliado a entrada de arroz importado — especialmente do Paraguai. O produto paraguaio chega ao mercado brasileiro com vantagem logística e tributária, favorecida pela ausência de uma equalização do ICMS interestadual, um ponto de desequilíbrio que segue prejudicando a competitividade do arroz gaúcho em outras regiões do país.
Apesar das dificuldades, o desempenho das exportações em outubro surpreendeu positivamente. O Brasil embarcou 213,1 mil toneladas (em base casca), incluindo 104,2 mil toneladas de arroz em casca e 74,1 mil toneladas de beneficiado. As importações somaram 143,3 mil toneladas no mesmo período, resultando em um superávit de 102,8 mil toneladas em 2025 — um contraste expressivo em relação ao déficit de 99,8 mil toneladas registrado em 2024.
Para os primeiros meses de 2026, analistas projetam um cenário de recuperação gradual, condicionado ao comportamento do câmbio e ao ritmo das exportações. A expectativa é de que a oferta ajustada, combinada a um eventual aumento do consumo interno, possa dar sustentação aos preços. Ainda assim, o equilíbrio de mercado dependerá da capacidade do setor de modernizar sua comunicação com o consumidor e de avançar em políticas que reduzam a desigualdade tributária entre estados e países concorrentes.