Após estudo, Secretaria da Saúde diz que UPA tem mesmo problemas

Por 14 de junho de 2022

Em reunião realizada nesta terça-feira, às 16 horas, na Unidade de Pronto Atendimento, o secretário da saúde Marcelo Figueiró apresentou à coordenação do órgão e à Provedoria do Hospital de Caridade e Beneficência – empresa contratada para fazer a gestão da UPA – o relatório produzido pela pasta com recomendações de procedimentos que possam garantir mais celeridade no atendimento aos usuários do SUS. No documento, que o titular da SMS pretende entregar até quarta-feira ao prefeito José Otávio Germano, constam também pedidos de adequações conforme previsão em contrato de pelo menos dois pontos importantes: o serviço de Raio X 24 horas (atualmente não haveria o profissional técnico disponível no local em tempo integral, o que colabora para aumentar o tempo do atendimento até que se desloque um profissional do HCB até o ponto da zona norte) e a unificação dos prontuários da UPA e Emergência do HCB com o Sistema Integrado Municipal de Saúde (Simus), utilizado por toda a rede de atenção básica. A tarefa de avaliar o sistema geral de operações da UPA foi determinada pelo prefeito à secretaria, após dificuldades com a lotação do espaço e demora nos atendimentos.

Outro procedimento apontado pela comissão de profissionais escalados por Figueiró para a análise, foi o de reavaliar os critérios de triagem excludente hoje adotados pela Emergência do HCB, que acaba encaminhando outro nicho de pacientes à UPA, colaborando para a lotação do serviço. O levantamento comprovou, através de números, o incremento na demanda de trabalho da UPA (de uma média de 4 mil atendimentos/mês no primeiro trimestre do ano, passando para 5 mil em abril e 6.740 procedimentos no mês de maio), o que justificou as tratativas adotadas como o aditivo de R$ 98 mil ao contrato, a abertura do Centro de Atendimento de Baixa Complexidade (junto ao INSS) e a dedicação prioritária, no turno da tarde, às doenças respiratórias nos postos de saúde.

TRAVANDO O FLUXO

Conforme o diagnóstico apresentado à coordenadora da Unidade de Pronto Atendimento, Paola Concari, e ao Superintendente do HCB, Luciano Morschel, outros fatores têm colaborado para deixar o fluxo de atendimento mais lento, como o fato de dois médicos envolvidos no mesmo atendimento classificado na cor vermelha, o crescimento dos atendimentos pediátricos (sabidamente consultas que demandam mais tempo), o volume de pacientes vindos de municípios vizinhos (demanda que incha o sistema e de onde não consta participação financeira destas prefeituras para investir em ampliação da estrutura, uma vez que a UPA é municipal) e a necessidade de acompanhamento do protocolo de classificação dos pacientes (a unidade adota o Protocolo de Manchester), com a reavaliação quando o quadro clínico demandar maior envolvimento com o paciente e, por esta razão, exceder o tempo de espera.

No contato diário com a rotina da unidade, a comissão da SMS identificou pontos a serem melhorados na contrarreferência da UPA com a rede básica e vice-versa, questão para a qual se disponibilizará capacitação conjunta e onde a integração dos prontuários se fará imprescindível. A partir deste relatório, destaca o secretário Marcelo Figueiró, “ficou nítida a necessidade de oferecermos um serviço de atendimento de livre demanda na zona sul da cidade para casos leves, lacuna deixada com o fechamento do Plantão do SUS”. O titular da Saúde quer aproveitar o sistema de informação integrado com a UPA para estimular a atualização cadastral dos pacientes e ainda criar um canal de contato com aqueles que evadiram após o acolhimento inicial, a fim de que estes encaminhem suas críticas e sugestões via Ouvidoria do SUS.