Análise de mercado: menor safra de trigo acende alerta para alta da farinha e do pão no RS

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A nova safra de trigo no Rio Grande do Sul começa sob um ambiente de cautela no campo e preocupação crescente na cadeia de abastecimento. A redução da área plantada no Estado, somada às incertezas do mercado internacional e à alta dos custos de produção, já alimenta projeções de pressão sobre os preços da farinha e, futuramente, do pão.

As estimativas mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que o Rio Grande do Sul deverá colher cerca de 2,7 milhões de toneladas de trigo em 2026, volume 24,5% inferior ao registrado na safra passada. A retração também aparece na área cultivada, projetada em 925,5 mil hectares — queda de 20% em relação ao ciclo anterior.

O movimento não é isolado. Em nível nacional, a produção brasileira de trigo deve recuar 18,9%, ficando em 6,38 milhões de toneladas. O cenário reflete um acúmulo de fatores que vêm afetando a cultura nos últimos anos. Entre eles estão as perdas provocadas por excesso de chuva, problemas de qualidade do grão, oscilações nos preços internacionais e sucessivas frustrações de safra, além dos efeitos indiretos da guerra entre Rússia e Ucrânia sobre o mercado global de alimentos e fertilizantes.

Com produtores mais endividados e conservadores, a tendência é de redução dos investimentos na cultura. Ao mesmo tempo, os custos voltaram a subir, principalmente os fertilizantes nitrogenados, pressionados pelas recentes tensões geopolíticas no Oriente Médio.

O clima também mantém o setor em alerta. A possibilidade de formação de um novo fenômeno El Niño preocupa agricultores e analistas porque aumenta o risco de chuvas excessivas durante o período de colheita, fator historicamente associado à perda de produtividade e qualidade do trigo gaúcho.

No mercado internacional, o quadro já começa a refletir nas cotações. Relatórios recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicam redução relevante nas projeções de safra de importantes exportadores, como Estados Unidos, Austrália e Argentina, movimento que tende a sustentar os preços globais do cereal.

A dependência brasileira do trigo argentino amplia ainda mais a sensibilidade do mercado interno às oscilações externas. Com menor oferta e custos mais altos, os moinhos relatam dificuldade para absorver aumentos sem repassar parte da pressão ao preço da farinha.

Na prática, o cenário reforça o temor de novos reajustes em produtos básicos do consumo diário, especialmente o pão nosso de cada dia, item diretamente ligado ao comportamento do trigo no mercado interno e internacional.

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