MORTE DE RECÉM-NASCIDO | Juíza Rosuíta Maahs leu a sentença que condenou a genitora na tarde desta quinta-feira (6) / Foto: Milos Silveira/OC
A manicure Iolanda de Lourdes Castro de Freitas, conhecida como Luana, de 33 anos, foi condenada a 19 anos de reclusão em regime inicial fechado pela morte do filho recém-nascido, crime ocorrido em agosto de 2015, no Bairro Oliveira, na zona norte de Cachoeira do Sul. O júri popular que resultou na sentença aconteceu nesta quinta-feira (6), no Fórum da cidade.
Ao ler a decisão com a dosimetria da pena após a votação do conselho de sentença que resultou na condenação da ré, a juíza Rosuíta Maahs pontuou que a “natureza repugnante” e com “grau máximo de reprovabilidade social” do crime, considerado hediondo, contribuiu para o resultado. A acusação foi feita pelo promotor de Justiça Átila Castoldi Kochenborger, enquanto a defesa ficou a cargo do defensor público João Pedro Gomes Dadda.
Ao final da leitura da sentença, Dadda informou ao Portal OCorreio que pretende recorrer da condenação. “Por ter sido uma decisão contrária à prova dos autos”, limitou-se.
A ré Iolanda de Lourdes Castro de Freitas, a Luana, não compareceu à sessão de julgamento do Tribunal do Júri. “É um direito dela”, explicou a juíza Rosuíta, ressaltando que o Judiciário tem informações sobre o paradeiro e endereço da mulher.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Luana teria dado à luz sozinha em um campo localizado nos fundos de sua residência. Após o parto, conforme o MP, a mulher cortou o cordão umbilical da criança, colocou o bebê dentro de uma sacola plástica e o jogou em um açude próximo de sua casa, cujo acesso se dá por um campo situado na Rua Alarico Ribeiro.
Durante a fase judicial, Luana optou por permanecer em silêncio. No entanto, em depoimento à Polícia Civil durante o inquérito que apurava as circunstâncias do caso, ela admitiu que escondeu a gestação por medo da reação do namorado, com quem estava se relacionando havia quatro meses. Ainda segundo o relato prestado à Polícia, o parto ocorreu no pátio de sua casa e o bebê teria caído no chão sem apresentar sinais de vida.
Em seu depoimento, Luana afirmou que entrou em desespero ao perceber que a criança não apresentava sinais vitais. Em seguida, buscou uma tesoura e uma sacola plástica na cozinha, cortou o cordão umbilical e colocou o bebê dentro da sacola. Depois, levou a criança até uma sanga próxima da residência e a deixou no local. Ela relatou ter sentido remorso e considerado voltar ao local, mas desistiu por medo, pois já havia anoitecido e o tempo era chuvoso.
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