por Jeferson Francisco Selbach*
A bárbara cena da entrega dos corpos dos israelenses sequestrados no ataque de 7 de outubro de 2023 pelo Movimento de Resistência Islâmica, conhecido como Hamas, estarreceu o mundo civilizado.
Na ocasião, o pai Yarden Bibas foi proteger sua família e acabou capturado pelos terroristas. A esposa Shiri e os dois filhos do casal, Ariel e Kfir, foram capturados logo em seguida.
Em fevereiro deste ano o pai foi libertado vivo pelo acordo de cessar-fogo que previu a devolução de reféns. Já os corpos dos pequenos – um de dez meses de idade e o outro de quatro anos – foram expostos num palco em caixões pretos à frente do cartaz com a imagem do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu com dentes de vampiro sangrando por sobre as vítimas.
O cartaz trazia impressa a frase: “O criminoso de guerra Netanyahu e seu Exército nazista mataram-nos com mísseis disparados de aviões sionistas”, numa tentativa espúria de desvirtuar a verdade e manipular a opinião pública mundial, de que a família teria sido morta em bombardeio realizado pelos próprios israelenses na Faixa de Gaza, quando foram estrangulados e os corpos mutilados por palestinos para esconder a causa da morte.
Mais grave ainda foi a descoberta após exames forenses de que um dos corpos entregues não é da mãe Shiri Bibas e de nenhum outro refém sequestrado, sendo provavelmente de alguém da própria população que os terroristas do Hamas dizem defender. Tanto que entregaram depois o verdadeiro corpo.
David Mencer, porta-voz do governo israelense, vaticinou que o grupo terrorista do Hamas não é um movimento de resistência, mas de culto à morte, que assassina, tortura e exibe cadáveres. A cena apresentada foi de grave violação dos direitos dos falecidos ao vilipendiar seus corpos em praça pública.
O exilado Mosab Hasan Houssef, filho de um dos fundadores do Hamas, diz que o movimento não defende a causa palestina, mas utiliza seu próprio povo como escudos humanos.
O conflito na região remonta o final da Primeira Guerra Mundial, com a Declaração de 1917 do então secretário de Assuntos Estrangeiros Arthur James Balfour, que expôs a intenção do governo britânico de assentar povos judeus na região da Palestina, caso a Inglaterra derrotasse o Império Otomano que ali dominava.
Após a Segunda Guerra e o conhecimento do holocausto judeu, a ONU aprovou em 1947 a criação de dois Estados, um judeu e um árabe para abrigar os povos da região. O acordo não foi aceito pelos árabes que ocuparam a Faixa de Gaza e deflagraram guerra contra os judeus em 1948, quando da criação oficial do Estado de Israel.
Desde então ocorrem conflitos sangrentos, como em 1967 com a Guerra dos Seis Dias, onde Israel ocupou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, e em 1987, na revolta dos palestinos contra tropas israelenses, conhecida como primeira Intifada.
Acordos celebrados na norueguesa Olso em 1993 criaram a Autoridade Nacional Palestina, que assumiu a administração política da Faixa de Gaza, desocupada em 2005 por Israel. A ONU reconheceu a região da Palestina como Estado-observador permanente em 2012.
A ala extremista militar palestina tomou força a partir de 1987 com o Hamas se opondo radicalmente contra qualquer acordo e contra a própria existência dos judeus na região.
Para o grupo terrorista, a única solução para o problema palestino é pela jihad ou guerra santa, pelo extermínio dos judeus e dos cristãos, não só na região mas em todo mundo.
Por trás do Hamas está o Irã, que financia armas e treinamentos paramilitares e é contra a sobrevivência judaica em Israel, considerado um enclave civilizado em meio ao mundo dos extremistas islâmicos.
O conflito se reveste do espectro ideológico no mundo ocidental e, em especial, no Brasil.
De um lado, a esquerda defende com unhas e dentes a ocupação territorial dos palestinos na Faixa de Gaza, mesmo com as barbáries praticadas pelo Hamas. O governo Luiz Inácio Lula da Silva simplesmente silenciou sobre a barbárie praticada.
Do outro lado estão quem entende que os fins não justificam os meios, que o povo judeu tem direito em ocupar a região e que horrores como a festa de entrega dos corpos de Ariel e Kfir Bibas não podem ocorrer no mundo livre civilizado.
Se caminhamos para erguer muros intransponíveis entre os mundos judaico-cristão e o islamismo, quem sabe a solução para a região não esteja mesmo no reassentamento permanentemente dos palestinos fora da faixa de Gaza.
Certamente traria maior segurança para todos que ali querem viver em paz.