20 anos e a pergunta continua: quem mandou matar Celso Daniel?

Por 17 de janeiro de 2022

Crédito: Arquivo

Lula mandou matar Celso Daniel. A frase é de um dos cabeças do esquema do Mensalão, o publicitário e empresário Marcos Valério. Foi durante um depoimento ao Ministério Público de São Paulo. Segundo disse, o ex-presidente e condenado foi um dos mandantes da morte do então prefeito de Santo André do PT. Nesta terça-feira, o caso completa 20 anos e jamais foi solucionado.

De acordo com Valério, ele e o chefe de gabinete de Lula na época, Gilberto Carvalho, compraram o silêncio do empresário Ronan Maria Pinto, durante uma reunião um ano após a morte de Celso Daniel. O empresário teria aceitado a proposta, mas não sem antes dizer que “não pagaria o pato sozinho” pelo crime.

O motivo do crime teria sido o fato do prefeito ter se prontificado a pagar por uma caravana de Lula pelo Brasil com dinheiro do Município, mas teria desistido de participar por conta dos esquemas de corrupção.

Celso Daniel foi assassinado no dia 18 de janeiro de 2002 a tiros, após ser vítima de um sequestro. Na sequência, outros assassinatos misteriosos:

  • Dionísio Aquino Severo: sequestrador de Celso Daniel e uma das principais testemunhas no caso
  • Sérgio ‘Orelha’: escondeu Dionísio em casa após o sequestro. Fuzilado em novembro de 2002
  • Otávio Mercier: investigador da Polícia Civil. Telefonou para Dionísio na véspera da morte de Daniel. Morto a tiros em sua casa
  • Antonio Palácio de Oliveira: garçom que serviu Celso Daniel na noite do crime pouco antes do sequestro. Morto em fevereiro de 2003
  • Paulo Henrique Brito: testemunhou a morte do garçom. Levou um tiro, 20 dias depois
  • Iran Moraes Redua: agente funerário que reconheceu o corpo do prefeito jogado na estrada e que chamou a polícia em Juquitiba, morreu com dois tiros em novembro de 2004
  • Carlos Delmonte Printes: legista que atestou marcas de tortura no cadáver de Celso Daniel, foi encontrado morto em seu escritório em São Paulo, em 12 de outubro de 2005

De acordo com o irmão de Celso Daniel, o oftalmologista João Francisco Daniel, o prefeito morreu porque detinha um dossiê indicando um esquema corrupto que resultaria em desvio de dinheiro ao PT.

Estranhamente, o partido nunca demonstrou muito interesse em esclarecer os fatos. Estranho. Teóricos da conspiração dizem até hoje que foi “queima de arquivo”. Bem capaz.